DATA: 13/11/2015

Óleo de café verde pode ajudar no emagrecimento

Durante pesquisa desenvolvida na USP, a ingestão do produto causou perda de peso em ratos

Um estudo da Faculdade de Zootecnia de Engenharia de Alimentos (FZEA) da Universidade de São Paulo (USP), em Pirassununga, para analisar se o óleo de café verde é tóxico ao organismo revelou que a ingestão do produto ocasionou a perda de peso em ratos. Segundo os pesquisadores, existe a possibilidade do uso de óleo de café verde como fitoterápico para a redução de peso também em pessoas.

 

“O nosso trabalho levantou informações sobre o óleo de café verde, no entanto ainda são necessários mais estudos para comprovar a viabilidade da aplicação do óleo em medicamentos, cosméticos e alimentos funcionais”, diz a enfermeira Naila Albertina de Oliveira.

 

Ela é a autora da dissertação de mestrado que analisou a concentração de bioativos e avaliação da toxicidade aguda in vivo dos diterpenos cafestol e caveol, substâncias presentes no café verde, que teve orientação da professorada Alessandra Lopes de Oliveira e foi apresentada neste ano na FZEA.

 

Foram feitos dois testes de dosagem com os animais. No primeiro, eles receberam uma dose única de 2.000 mg/kg (miligramas de óleo de café verde por quilo de peso dos animais) e acompanhamento por 14 dias das reações. “Notou-se uma redução significativa do consumo de ração dos animais”, afirma o professor Heidge Fukumasu, do Laboratório de Oncologia Comparada e Translacional da FZEA, que assessorou os experimentos em animais.

 

No segundo teste, durante 28 dias, três diferentes grupos de ratos receberam as dosagens de 25 mg/kg, 50 mg/kg e 75 mg/kg. Os três grupos receberam ração na mesma quantidade do grupo controle — animais que não ingeriram o óleo de café. “Verificamos que quanto maior a dose do óleo de café verde, maior foi a perda de peso dos animais em relação àqueles que não ingeriram a substância”, conta Naila.

 

“Também houve de redução dos níveis de glicose e triglicérides séricos. Estes efeitos são muito interessantes e compatíveis com os efeitos benéficos descritos para componentes do café”, acrescenta Fukumasu.

 

Naila destaca que na literatura científica há relatos que evidenciam o consumo de café com a regulagem do peso corporal. “Entretanto, esses estudos relacionavam a redução ou manutenção do peso com a cafeína, e na nossa pesquisa aplicamos óleo de café com baixa dosagem da cafeína, ou seja, ela teve pouca influência nos resultados”.

 

O foco principal do trabalho de Naila foi analisar a toxicidade aguda e subaguda do óleo de café verde, rico em diterpenos, uma substância com atividade protetora contra os efeitos da quimioterapia. Saber se uma substância é tóxica ao organismo é o primeiro passo para descobrir se ela poderá ou não ser administrada em pessoas ou animais, como um medicamento ou mesmo um alimento. Ele alerta que os “resultados da pesquisa reforçam que deve haver mais estudos necessários para estimar a dose segura de administração por via oral em humanos do óleo de café verde”.

 

 

O trabalho da Naila é o desdobramento de um projeto realizado desde 2011, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e coordenação da professora Alessandra, sobre os processos de extração e a caracterização do óleo de café verde.

Com informações da USP.


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