DATA: 16/02/2016

Novo modelo de cultivo beneficia produtores de abacaxi em Minas Gerais

O mulching cobre o solo com um filme plástico de espessura fina, protegendo a terra e o sistema radicular das plantas

Muito utilizado no cultivo de morangos, o mulching tem sido a nova aposta de produtores de abacaxi da região do Triângulo Mineiro. Este modelo de cultivo cobre o solo com um filme plástico de espessura fina, protegendo a terra e o sistema radicular das plantas. É usado para fazer o revestimento da área de plantio, ou seja, as linhas de cultivo da produção ou os canteiros ficam protegidos, conforme orientação da Empresa de Assistência Técnica Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG).

 

Segundo o extensionista Antônio Carlos Andrielli, que presta seus serviços no município de Canápolis, este método carrega várias vantagens em comparação ao convencional, entre elas: redução de mão de obra, maior produtividade, queda da aplicação de herbicidas, maior retenção de umidade, controle da temperatura e diminuição de pragas e doenças.

 

“Desta forma, é possível exercer uma atividade biológica mais favorável, gerando um ambiente mais propício para o desenvolvimento da planta e aumentando a produtividade”, diz o extensionista.

 

O processo de aplicação do plástico no solo é feito de forma mecânica; já os buracos, onde são plantadas as mudas, são cavados manualmente pelo agricultor, bem como o plantio das mudas, que também é manual.

 

Gastos

No início da implantação do mulching (ou mulchieng), os gastos podem ser altos, mas o retorno logo compensa o investimento. “O gasto é compensado no final, com o aumento da produtividade e diminuição do custo. A tendência é que, em alguns anos, tenhamos uma adoção maior desta técnica por parte dos produtores”, diz Andrielli.

 

Em média, conforme o extensionista, o custo inicial para implantar este método fica 20% mais caro do que o método convencional. Por outro lado, ele afirma que, pelo mulching, o fruto do abacaxi tem um ganho de peso médio de 400 gramas. “Fora o aumento da produtividade por hectare, que é de 33% em relação ao método convencional.”

 

Experiência

“O sistema mulching é mais viável economicamente, porque produz mais com maior rapidez. Neste modelo, o fruto ganha mais peso, não perdemos mudas, não gastamos herbicidas e ainda ganhamos em qualidade”, afirma o agricultor Celismar Gouveia Moura, que há quase cinco anos decidiu investir neste novo método, embora ainda mantenha o plantio convencional, em Canápolis (MG).

 

Segundo ele, a produtividade pelo novo sistema é bem maior. “Minhas duas lavouras têm 20 hectares cada, mas enquanto a convencional produz, em um ano e meio, cerca de 30 mil quilos da fruta (abacaxi) por hectare, no mulching a produção chega a 40 mil no mesmo comparativo.”

 

De acordo com a mais recente avaliação da Emater-MG, feita no ano passado, a área de plantio de abacaxi com mulching foi 18% mais produtiva que o plantio convencional (peso do abacaxi tradicional: 1,7 quilos; com mulching: 2,05 quilos). Os frutos também ficaram maiores que o convencional, melhorando a classificação para venda, considerando que existe a diferenciação de preços conforme o tamanho e o peso deste produto.

 

Vantagens

A Coopercitrus Cooperativa de Produtores Rurais, em divulgação sobre o sistema mulching na revista da própria entidade, detalha os resultados e a viabilidade econômica deste método.

 

– Diminui a competição com plantas daninhas;

– Economia na irrigação de até 50%;

– Economia com fertilizantes;

– Evita a lixiviação de nutrientes;

– Manutenção da umidade e temperatura do solo, melhorando enraizamento e precocidade no ciclo;

– Melhor enraizamento das mudas, precocidade e uniformidade no pegamento;

– Menor perda de mudas que resulta em menor replantio;

– Redução de 60% no uso de herbicidas e evita a fitotoxicidade;

– Redução do ciclo de produção, menor impacto ambiental, menor custo;

– Redução de mão de obra de capina: 60% de economia;

– Reflexão de luz: melhor aproveitamento pela planta e repelência a insetos;

 


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