Novo equipamento permite que pequeno produtor produza suco de uva integral

Suquificador Integral foi pensado e projetado para ser de fácil uso e beneficiar cerca de 50 mil pequenos produtores

Produzir suco de uva integral em pequenos volumes, sem agregação de água, é a proposta do novo equipamento desenvolvido pela Embrapa Uva e Vinho, em parceria com a empresa Monofrio. Lançado no dia 5 de abril, o Suquificador Integral foi pensado e projetado para ser de fácil uso e resolver o problema de mais de cinquenta mil pequenos produtores no Brasil, que atualmente produzem cerca de oito milhões de litros de sucos de uva e outras frutas utilizando o método da panela extratora por arraste de vapor, no qual há acréscimo de água ao produto final, o que altera sua composição e classificação.

 

O ponto de partida foi agregar valor à produção e oferecer uma alternativa para os pequenos produtores, em sua grande maioria concentrados no Estado do Rio Grande do Sul, segundo recorda o pesquisador Celito Guerra, da Embrapa Uva e Vinho. Num trabalho conjunto que durou cerca de três anos, foi construído o Suquificador Integral, lançado no dia 5 de abril, na sede da empresa, em Bento Gonçalves (RS). “Nossa maior preocupação era desenvolver um equipamento fácil de ser operado e que produzisse um suco de qualidade superior. E tivemos sucesso”, diz Guerra.

 

As análises realizadas com diferentes variedades de uva nas safras 2014, 2015 e 2016 indicam que o Suquificador Integral produz um suco de uva integral de cor mais intensa, menos turvo, de melhor aroma e sabor, comparado ao suco elaborado com as mesmas uvas, pelo método da panela extratora por arraste de vapor. No item gasto de energia, o novo equipamento é mais econômico, pois necessita apenas de energia elétrica monofásica. Sobre o rendimento e o tempo de elaboração, o pesquisador informa que os sistemas são similares.

 

Guerra informa que, além das condições normais da fruta para a elaboração, como estar madura e sadia, o novo sistema requer a necessidade de se trabalhar com uvas previamente desgranadas e esmagadas, uma vez que o aquecimento da uva se dá pela parede interna do suquificador.

 

Produto de maior crescimento de mercado

Segundo a legislação brasileira, se houver a agregação de água ou qualquer outra substância, o suco deixa de ser considerado integral e será enquadrado na categoria de néctar. “O suco de uva integral tem sido a alegria das vinícolas, por representar uma importante parcela de sustentação das vendas. É o produto vinícola com o maior crescimento nos últimos anos”, informa Darci Dani, diretor-executivo da Associação Gaúcha de Vinicultores. Enquanto o suco integral natural de uva pode ser comercializado a 15 reais o litro, o néctar é adquirido por menos da metade deste valor, chegando em geral a quatro reais o litro. Ele avalia que o suquificador irá auxiliar os pequenos produtores a garantir a elaboração de um produto com maior valor agregado.

 

A produção de suco de uva no Brasil possui grande relevância econômica e social, apresentando características específicas, seja em relação à produção vitícola, seja em relação ao processamento. O Rio Grande do Sul é o principal estado produtor. Considerando o período de 2010 a 2014, a produção de suco de uva no estado alcançou um crescimento recorde de 53,06%. No mesmo período, a comercialização teve um aumento de 93,01%. Segundo estimativas da área de economia da Embrapa Uva e Vinho, o aumento de produção e comercialização ocorre regularmente há mais de 20 anos.

 

Segundo a extensionista da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater-RS/Ascar) Maria de Lourdes Gasparin Pancotte, o suquificador viabiliza a pequena indústria da Serra Gaúcha e de outras regiões produtoras, como Santa Catarina e Paraná, gerando uma oportunidade para a agricultura familiar. “O novo equipamento poderá ser operado por uma ou duas pessoas e irá auxiliar os produtores que enfrentam uma séria questão de falta de mão de obra”, pondera.

 

Jorge Luiz Mariani, viticultor e membro da Cooperativa de Produtores Ecologistas de Garibaldi (Coopeg), avaliou positivamente o equipamento. “Ele é pequeno e compacto, ideal para aquela família que está começando e poderá produzir um suco com identidade e custos que cabem nas finanças da propriedade”, analisa. O Suquificador Integral foi projetado para a elaboração de suco integral de uva, mas já foi testado e aprovado para a elaboração de suco de outras frutas, como framboesa, morango, amora e mirtilo, respeitadas as especificidades de cada matéria-prima.

 

O Suquificador Integral

O Suquificador Integral, também chamado de processador, funciona à energia elétrica e processa até 70 kg de uvas desgranadas e esmagadas por hora, com um rendimento de pelo menos 35 litros de suco. É construído em aço inoxidável e montado de forma inclinada sobre estrado simples e rodas, para facilitar seu deslocamento.

 

Na parte interna, é constituído por tambor perfurado para colocação das uvas a serem processadas, o qual gira ao redor de um eixo central, facilitando a homogeneização da massa de uvas esmagadas. O processador é comandado por sistema eletrônico que permite a regulagem da temperatura, do tempo de aquecimento, da velocidade e do regime de giro do tambor interno.

 

Para a elaboração do suco de uva, além da compra do Suquificador, recomenda-se a aquisição de outros equipamentos auxiliares, como esmagadora manual, prensa manual e unidade de resfriamento. Segundo estimativa de João Carlos Taffarel, supervisor do Setor de Prospecção, Gestão e Avaliação de Tecnologias da Embrapa Uva e Vinho, o novo equipamento deverá ser comercializado a R$ 15 mil. “É um valor elevado em comparação às tradicionais panelas por arraste, mas bastante inferior se compararmos com o sistema tubo a tubo, que produz um suco integral, sem agregação de água, mas em maiores volumes”, analisa.

 

O Suquificador Integral é uma alternativa viável para qualificar a produção dos pequenos vinicultores com um baixo investimento. “Contabilizamos todas as despesas necessárias e com a elaboração de cinco mil litros de suco por safra, o investimento será pago em até quatro anos”, calcula Taffarel. A nova tecnologia foi registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e apresentada aos produtores, que poderão encomendá-la diretamente na Monofrio, empresa parceira em seu desenvolvimento e responsável por sua comercialização.

 

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