Lavoura com forrageira
DATA: 19/02/2016

Novo cálculo facilita semeadura de forrageiras em consórcio

A fórmula tem a finalidade de definir a quantidade de sementes a ser utilizada

A população ideal de forrageiras no cultivo consorciado de milho braquiária é um dos principais fatores para o sucesso do cultivo no Sul do Mato Grosso do Sul e Oeste do Paraná. Pesquisas da Embrapa Agropecuária Oeste revelaram que a quantidade de sementes de forrageiras utilizadas nas lavouras tem sido maior do que a quantidade necessária, prejudicando o desenvolvimento das plantas consorciadas.

 

O uso do cálculo da taxa de semeadura ideal de forrageiras em produção consociada de milho com braquiária possibilita redução no custo de produção, contribuindo para o estabelecimento da população adequada de forrageiras e impactando positivamente os resultados esperados.

 

A utilização de sementes forrageiras em maior quantidade do que o necessário faz com que o excesso da população de braquiária prejudique o milho. Essa prática pode estar associada as formas de beneficiamento das sementes que reduziam a taxa de germinação e o vigor, que afetava negativamente o estabelecimento das pastagens. Devido a isto, o plantio precisava ser efetuado com maior quantidade de sementes para que a população final almejada fosse alcançada.

 

Com a evolução no uso de tecnologias no beneficiamento de sementes que eliminam a maior parte das impurezas que acompanham o lote de sementes transformou esse cenário. A legislação brasileira estabelece valores mínimos de “Pureza” e de “Germinação”, sendo ambos os componentes que determinam o “Valor Cultural”, ou seja, o VC de um lote de sementes. Enquanto a “Pureza” está relacionada à porcentagem da espécie de interesse no lote, na amostra para análise, a “Germinação” indica a porcentagem dessas sementes puras que germinam e originam plântulas normais.

 

O engenheiro agrônomo da Embrapa Agropecuária Oeste, Gessi Ceccon, exemplifica a importância destas características da seguinte forma: um lote com VC= 50% significa que em cada embalagem de 10 quilos de sementes, somente cinco quilos são de sementes que poderão originar plântulas. As demais sementes do lote não terão sucesso no estabelecimento.

 

Para auxiliar os produtores na hora de calcular a quantidade de sementes necessárias, ou seja, fazer o cálculo da taxa de semeadura das forrageiras, tanto em cultivo solteiro quanto em consórcio com milho, é preciso identificar qual a população desejada de plantas.

 

Tendo esse objetivo em mente, Gessi aliou sua experiência de anos de dedicação ao trabalho com o consórcio milho braquiária ao seu potencial criativo e desenvolveu uma equação matemática inovadora que estabelece a taxa de semeadura ideal para uma lavoura consorciada de milho com braquiária.

 

A fórmula tem a finalidade de definir a quantidade de sementes a ser utilizada para que haja o estabelecimento de densidade adequada de plantas nas lavouras que utilizam o consórcio milho-braquiária, considerando os parâmetros de pureza e de germinação do lote de sementes adquirido pelo produtor. Por meio desse cálculo, o produtor poderá evitar excesso ou falta de pastagens, aumentando a garantia de sucesso do plantio, reduzindo prejuízos financeiros, evitando retrabalho e contribuindo com a adoção e/ou expansão do sistema de produção consorciada.

 

Segundo Gessi, esse cálculo pode ser utilizado em dois momentos: na compra das sementes, junto ao vendedor, para saber quanto de sementes deverá ser adquirida para a lavoura; e no momento da semeadura, para ajustar a população desejada de plantas.

 

“De modo geral, o parâmetro utilizado para comercialização de sementes de forrageiras é o Valor Cultural (VC) e, para a semeadura, tem sido utilizado o número de sementes puras viáveis (SPV) ou pontos de VC. No entanto, esses dois parâmetros consideram apenas a relação entre pureza e germinação das sementes, com base apenas na sua viabilidade, que é informada pelo teste de tetrazólio. Esses critérios não consideram o vigor das sementes, que representa a capacidade das sementes germinarem em condições de campo e se transformarem em plantas”, diz Gessi.

 

“A tecnologia envolvida na produção de sementes de forrageiras proporcionou mudanças positivas que culminaram na melhoria da qualidade das sementes comercializadas. Assim, a quantidade de sementes que se utilizava anteriormente não é mais necessária. Ou seja, quanto maior a qualidade da semente menor deverá ser a sua quantidade. Hoje, o produtor precisa levar em consideração tanto a qualidade da semente que será comprada quanto a população desejada de plantas, especialmente quando estiver trabalhando com consórcio de milho com braquiária”, conta Gessi.

 

Segundo ele, outro fator desconsiderado é a quantidade de sementes por unidade de peso (peso de mil sementes), que também deve ser considerado no estabelecimento de plantas, a fim de evitar comparações desiguais entre espécies com diferentes quantidades de sementes por unidade de massa.

 


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