DATA: 18/02/2016

Novas parcerias devem impulsionar pesquisas de embalagens biodegradáveis

A entidade iniciou um projeto para desenvolver embalagens bioativas a partir de celulose bacteriana

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) tem realizado vários estudos que envolvem o desenvolvimento de embalagens biodegradáveis – preferencialmente renováveis –, “porque o impacto ambiental causado pelo enorme volume de embalagens não biodegradáveis, descartados diariamente, tem preocupado as autoridades no mundo inteiro”, diz a pesquisadora Henriette Azeredo, da Embrapa Agroindústria Tropical. “Neste contexto, vários grupos – inclusive da Embrapa – têm trabalhado no desenvolvimento de materiais para substituir, total ou parcialmente, os polímeros derivados de petróleo para elaboração de embalagens”, comenta.

 

Para ampliar os estudos nesta área, no início deste ano, em parceira com a Universidade do Minho (UMinho), de Portugal, e com a Universidade Federal do Ceará (UFC), a Embrapa iniciou um projeto, liderado pela pesquisadora da estatal Morsyleide Rosa, para desenvolver embalagens bioativas a partir de celulose bacteriana. O projeto bilateral tem apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação para a Ciência e Tecnologia de Portugal.

 

De acordo com a Embrapa, a celulose bacteriana vem atraindo a atenção do meio científico e tecnológico pelo fato de ser biocompatível, atóxica, não alergênica, apresentar alta porosidade, elevado grau de polimerização, baixa densidade e alta capacidade de absorção e retenção de água. As características da celulose bacteriana, conforme a estatal, favorecem aplicações nas indústrias têxtil, alimentícia, de aparelhos eletroacústicos, na medicina, na odontologia e até mesmo para o desenvolvimento de materiais empregados em placas blindadas e coletes à prova de balas.

 

Conceitos

Antes de detalhar mais o novo projeto, Henriette explica a importância de separar conceitos que envolvem as “embalagens verdes”, termo mais conhecido atualmente e que pode englobar dois aspectos (o renovável e o biodegradável) e dos outros tipos de embalagens.

 

“Renovável é qualquer material feito a partir de uma fonte renovável, ao invés de derivados fósseis, como o petróleo. Já biodegradável é qualquer material que, quando no solo, depois de descartado em condições favoráveis, é degradado por microrganismos.”

 

Segundo a pesquisadora, uma embalagem pode ser renovável e não ser biodegradável – “por exemplo, o chamado “polietileno verde”, que é um plástico convencional, só que produzido a partir de fontes renováveis, como cana-de-açúcar”. “Por outro lado, uma embalagem pode ser biodegradável, mesmo sendo derivada de petróleo e, portanto, não renovável, como é o caso da policaprolactona.”

 

A parceria

Considerando a nova parceria da Embrapa com cientistas de Portugal e do Estado de Ceará, Henriette explica que as embalagens ativas, além de proteger os alimentos, liberam compostos que aumentam a estabilidade dos alimentos (exemplo: antimicrobianos) ou absorvem compostos que favorecem a degradação dos alimentos (exemplos: absorvedores de etileno para frutas).

 

“As embalagens bioativas, por sua vez, são um prolongamento do conceito de embalagens ativas, cujo foco é a saúde do consumidor. As bioativas liberam agentes/compostos que favorecem a saúde do consumidor (exemplo: antioxidantes, bactérias probióticas, compostos prebióticos).”

 

A importância da parceria Embrapa/UMinho/UFC, segundo a pesquisadora, “reside na complementariedade de competências, pois cada parte será responsável por estudar os aspectos que melhor domina, como por exemplo, a UMinho domina estudos de simulação de digestão in vitro (em sistema gastrointestinal artificial), áreas que a Embrapa e a UFC não dominam”.

 

Uma década de estudos

Os trabalhos com embalagens biodegradáveis, conforme Henriette, vêm sendo conduzidos pela Embrapa há cerca de dez anos. “Já os trabalhos específicos com celulose bacteriana começaram há cerca de cinco anos, mas só recentemente – há poucos meses – começamos a focar esforços nas aplicações de celulose bacteriana para embalagens de alimentos”, comenta a pesquisadora, salientando que o projeto de parceria Embrapa/UMinho/UFC acaba de ser aprovado.

 

Apesar da boa notícia, ela ressalta que não há previsão de quando estes produtos estarão disponíveis aos consumidores, porque tudo depende da conclusão das pesquisadas, que ainda estão em fase inicial. “Além disso, existem fatores que não dependem de nós, como o cumprimento dos aspectos regulatórios (a legislação tem de aprovar os produtos para cada aplicação) e o interesse do setor industrial. E enquanto não houver uma indústria interessada em absorver a tecnologia e disponibilizar os produtos no mercado, não há o que possamos fazer.”

 

 

 


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