DATA: 25/11/2015

Nos próximos 25 anos, Ceará precisará de mais água para produzir alimentos

A demanda por água de irrigação deve crescer em decorrência do aumento de 3% na evapotranspiração das plantas associado à redução de até 37% do volume de chuvas

Em 25 anos, é possível que os agricultores dos perímetros irrigados do Rio Jaguaribe, no Ceará, precisem de aproximadamente 9% a mais de água de irrigação para produzir a mesma quantidade de alimentos produzida hoje. Isso é o que aponta estudo da Embrapa que projetou o efeito das mudanças climáticas para a região nos próximos anos.

 

Segundo o trabalho, a demanda por água de irrigação deve crescer em decorrência do aumento de 3% na evapotranspiração das plantas associado à redução de até 37% do volume de chuvas em relação à climatologia do período de 1961 a 1990.

 

O trabalho avaliou os impactos das mudanças climáticas na necessidade hídrica das culturas irrigadas na bacia do Rio Jaguaribe, no Estado do Ceará, considerando a variedade das culturas irrigadas, a eficiência dos sistemas de irrigação adotados e os cenários de mudanças climáticas.

 

A bacia do Rio Jaguaribe contempla três perímetros irrigados: Tabuleiro de Russas, Jaguaribe-Apodi e Morada Nova. A pesquisa avaliou o padrão de cultivo mensal, sendo a maior parte da área ocupada com arroz, banana, feijão, milho, pastagens, dentre outras. Todos os sistemas adotados foram considerados: sulcos, inundação, aspersão, pivô central, microsaspersão e gotejamento.

 

“As mudanças climáticas são a nova pressão de demanda por água”, diz o pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical (CE) Rubens Sonsol Gondim, autor do trabalho. O estudo abrangeu uma área de 6,4 mil km² situada em um trecho de 160 km do Rio Jaguaribe. A região incluiu os municípios de Alto Santo, São João do Jaguaribe, Tabuleiro do Norte, Limoeiro do Norte, Quixeré, Jaguaruana, Russas e Itaiçaba.

 

Gondim diz que o estudo pode contribuir para a gestão racional da água, de forma a atender melhor os usuários. “É importante garantir a sustentabilidade dos recursos hídricos para manter a vocação de produção de frutas da região. Isso é um desafio para o setor produtivo”, afirma o pesquisador.

 

Ele ressalta que o estudo levou em consideração as condições atuais de exploração da área e que a melhoria na operacionalização dos equipamentos pode tornar os sistemas de irrigação mais eficientes. Para mitigar o problema, o pesquisador recomenda que, além da melhoria na operacionalização dos sistemas, é necessária a utilização de dados climáticos para melhor aproveitamento dos recursos hídricos.

 

Além disso, os produtores podem se beneficiar de estratégias de manejo de solo, como a aplicação de hidrogel (polímeros hidroabsorventes obtidos do amido ou derivados do petróleo), mulching (cobertura morta ou manta plástica branca), biocarvão, plantio direto, dentre outros.

 

Gondim conta que a região estudada apresenta vulnerabilidades por ser bastante populosa e estar no semiárido. Mesmo assim, o pesquisador lembra que o Estado do Ceará tem demonstrado, nos últimos anos, bons exemplos de gestão de recursos hídricos.

 

“O Ceará foi o primeiro Estado do Nordeste a criar uma lei de uso dos recursos hídricos e apresenta condições geográficas favoráveis para esse gerenciamento, porque todos os rios que o cruzam, com exceção do Parnaíba, nascem e têm sua foz no estado”, diz Sonsol.

 


Comente essa notícia.

Faça seu cadastro ou login gratuito para enviar comentários.