No Paraná, colheita de soja avança, mas clima ainda preocupa

A última estimativa do Deral previa uma produção de 18,08 milhões de toneladas de soja na safra 2015/2016

O Paraná já colheu 41% dos 5,26 milhões hectares cultivados com soja na safra 2015/2016, de acordo com acompanhamento até a última terça-feira (16/02). De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), das lavouras que ainda serão colhidas, 82% estão em boas condições, 16% em médias e 2% ruins. A estimativa de safra mais recente para o Estado, divulgada em janeiro, prevê uma produção de 18,08 milhões de toneladas de soja na safra 2015/2016, o que representa 7% mais do que o produzido na safra 2014/2015.

 

O núcleo regional de Toledo, que abrange 20 municípios da região Oeste do Estado, já colheu 96% da área plantada e tem o fim da colheita previsto para a próxima semana, com o título de a região mais adiantada do Estado. “Nós devemos ter uma queda pequena em relação à produção estimada anteriormente. Mas, talvez, a região com colheita tardia não tenha problemas”, diz Paulo Oliva, técnico do Deral de Toledo. De acordo com Oliva, a área plantada no núcleo regional é de 473.770 hectares, a projeção de produção anterior era de 1.704. 384 toneladas de soja, mas agora são esperadas 1.677.145 toneladas.

 

Redução de produtividade

O produtor Nelson Paludo, presidente do Sindicato Rural de Toledo, encerrou a colheita em sua propriedade na segunda semana de fevereiro. Os 270 hectares plantados com soja renderam 55 sacas por hectare na Fazenda Sítio do Sol. “A gente está acostumado a colher mais, mas a chuva atrapalhou o desenvolvimento e o rendimento foi menor”, diz Paludo. Na safra passada, a produtividade da fazenda foi de 60 sacas por hectare.

 

Apesar das chuvas acima da média ao longo do ciclo da soja, Paludo conta que a colheita foi tranquila e o tempo não atrapalhou, possibilitando colher grãos com qualidade. A soja colhida por Paludo teve plantio precoce, com semeadura iniciada no dia 20 de setembro de 2015. Ele já iniciou a venda da soja, para a cooperativa da região. “Tenho que pagar os financiamentos, os funcionários e fazer a próxima safra”, diz o produtor. Antes ocupada pela lavoura de soja, a área já está toda plantada com o milho safrinha, com colheita prevista para o mês de julho.

 

Chuvas atrasam a colheita em municípios paranaenses 

Os municípios do Centro-Sul paranaense ainda têm uma colheita inteira pela frente. Gustavo Ribas, presidente do Sindicato Rural de Ponta Grossa, diz que é normal a região plantar mais tarde, mas as chuvas também atrapalharam o manejo das lavouras. Até o momento, a colheita ainda está na fase inicial, com no máximo 4% da área plantada em Ponta Grossa. “Aqui teve muita chuva e depois um período de seca, isso atrasou o início da colheita em um mês”, diz Ribas. “Normalmente, até o fim de novembro estaria tudo plantado. Mas, o plantio atrasou cerca de 15 dias e continuamos plantando em dezembro.”

 

Ribas, que também cultiva milho e feijão, espera que a colheita de soja seja concluída até o fim de abril, mas está apreensivo com as precipitações que continuam atingindo a região. “A soja está boa, a grande preocupação é com o excesso de chuva que pode atrapalhar a colheita”, afirma Ribas. “Aqui está chovendo bastante, de 20 a 30 milímetros por dia.” Na Fazenda Coroas, ele tem 650 hectares plantados com soja e espera alcançar 70 sacas por hectare. Segundo ele, a previsão é de que o mês de março seja chuvoso em Ponta Grossa, o que pode causar problemas com umidade, mais atrasos e perdas na colheita.

 

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