DATA: 14/12/2015

Mulheres do Jaíba vencem dificuldades e investem na horticultura

As conquistas das produtoras foram desde a melhora na produção e renda, até na qualidade de vida delas e familiares, que aprenderam a trabalhar coletivamente

Um trabalho da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) com um grupo de 13 mulheres, que cultivam hortaliças no município de Jaíba, Norte de Minas Gerais, está chamando atenção na região. As conquistas das produtoras foram desde a melhora na produção e renda, até na qualidade de vida delas e familiares, que aprenderam a trabalhar coletivamente e a ter acesso a bens como bicicletas, motos e carros.

 

Tudo isso, graças ao trabalho em uma área de três hectares onde são produzidas 20 tipos de hortaliças, comercializadas em dez estabelecimentos da cidade, entre restaurantes, lanchonetes, açougues, feira livre e varejo. O trabalho da Emater-MG com o grupo, conhecido como “as mulheres da horta”, começou há nove anos.

 

O envolvimento dos técnicos da Emater-MG com as agricultoras surgiu quando algumas delas, que cultivavam hortaliças há anos, na beira do rio Verde Grande, procuraram o escritório da empresa. “O grupo vinha constantemente recebendo notificações e multas da polícia ambiental, por ser um local impróprio para o cultivo das hortaliças”, conta a extensionista da Emater-MG Mônica Rodrigues.

 

Segundo a técnica, surgiu nessa época a ideia de adquirir um terreno onde as mulheres pudessem cultivar, sem agredir o meio ambiente, ou seja, de forma sustentável. Seu colega da Emater-MG, o também extensionista agropecuário Manoel Dias, que iniciou todo o processo de assistência e orientação às horticultoras, posteriormente tocado pela Mônica e Luciana Cangussu, conta que,  depois de saírem das margens do rio, as mulheres conseguiram com a ajuda da Emater-MG, uma área.

 

Segundo Dias, o início das hortas orgânicas foi complicado. “Os dois primeiros meses foram bem difíceis”, diz o extensionista agropecuário. Foram utilizadas caldas de extratos de plantas para afastar as pragas das hortaliças. Com o passar do tempo, as mulheres conseguiram comprar o terreno que era apenas cedido e mais dois hectares das terras do mesmo proprietário, para a ampliação do projeto.

 

De lá pra cá, com o suporte da empresa mineira de extensão rural, as horticultoras de Jaíba tiveram acesso a linhas de crédito do Pronaf e outros programas de políticas públicas, como o Programa de Combate à Pobreza Rural; Luz para Todos; Minas Sem Fome; Cultivar, Nutrir e Educar e outros.

 

As agricultoras também se organizaram na Associação das Produtoras de Hortaliças Orgânicas de Jaíba. Cada uma delas vende 80 molhos de folhas por dia a R$ 2,50 a unidade. Aos sábados, na feira, comercializam de 400 a 500 molhos, o que mensalmente dá em torno de 3.500 molhos de hortaliças e uma retirada média de R$ 5 mil por mês.

 

Dona Marcolina dos Santos, 82 anos, remanescente das primeiras mulheres que cultivavam nas margens do rio Verde Grande e primeira presidente da associação das produtoras não esconde a satisfação com a atividade que sustenta toda a família. “Desde que a gente saiu do rio, as mudanças foram muitas, mas graças a Deus está tudo dando certo. Hoje sonho ver a área cercada, mas até agora não deu”, afirma.

 

Outra história de vida bastante peculiar no grupo das mulheres da horta é da produtora Ana Gomes. Ela trocou a profissão de salgadeira e faxineira escolar pela horticultura e conseguiu melhorar a situação financeira. Inicialmente tentou conciliar as atividades.

 

Posteriormente passou a se dedicar exclusivamente ao cultivo da horta. “Agora dá pra eu manter a minha casa toda, meu marido, meus filhos e ainda sobra uma reserva pra eu guardar. Comprei uma moto, financiei um carro. Hoje tiro um bom salário. Foi muito bom ter vindo pra cá”, diz.

 


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