Agricultora. Produtora rural.

Mulheres ainda são minoria no agronegócio

As mulheres respondem por apenas 34,1% do quadro de pesquisadores da Embrapa

Nas últimas décadas, as mulheres venceram barreiras e conquistaram espaço na sociedade. Porém, o agronegócio ainda é um setor predominantemente masculino. A Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, uma das mais importantes entidades do agronegócio no País, faz parte de um programa do Governo Federal que atua pela igualdade de gênero, raça e diversidade há quase dez anos. Apesar dos esforços, as mulheres respondem por apenas 34,1% do quadro de pesquisadores. Dos 2.466 pesquisadores da Embrapa, 1.624 são homens e 842 são mulheres.

 

De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), o Brasil tem hoje 105,2 mil médicos veterinários em atuação, sendo 49,6 mil mulheres. O Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), que responde pelos geógrafos, geólogos, meteorologistas, tecnólogos dessas modalidades, técnicos industriais e agrícolas e suas especializações, tem 1.259.834 profissionais registrados. Desse total, 1.087.809 são homens e apenas 172.025 são mulheres.

 

Vania Beatriz Castiglioni, diretora-executiva de administração e finanças da Embrapa
Vania Beatriz Castiglioni, diretora-executiva de administração e finanças da Embrapa

Vania Beatriz Castiglioni, diretora-executiva de administração e finanças da Embrapa, é a única mulher entre os quatro membros da diretoria-executiva da empresa. “Somos pouco mais da metade da população brasileira, algo perto de 51%, mas, para alcançarmos equilíbrio de gênero nos setores profissionais mais especializados, remunerados e influentes, ainda temos muito que avançar”, afirma Vania.

 

Para Vania, a ainda pequena representação feminina no campo e na pesquisa agropecuária é reflexo da sociedade, que ainda tem raízes fortes em um modelo patriarcal, onde as fazendas pertenciam aos homens. Porém, com a efetiva emancipação da mulher e políticas públicas adequadas, o cenário está mudando.

 

“A pesquisa agropecuária necessita de um grande aporte de conhecimento das ciências exatas, especialmente das engenharias, onde ainda há uma forte predominância masculina”, diz a diretora. Segundo dados do CNPq, os homens são, em geral, mais de 60% dos bolsistas em ciências exatas. “Então, não se trata propriamente de uma barreira existente na pesquisa agropecuária, mas, sim, de uma preferência ou indução de escolha dos gêneros, por esse ou por aquele curso de formação universitária.”

 

Engenheira agronômica, especialista em genética e melhoramento de plantas, com experiência em projetos com feijão na Empresa de Pesquisa no Espírito Santo e ex-docente na Universade Estadual de Londrina, Vania faz parte do quadro de funcionários da Embrapa desde 1989, quando aceitou liderar o programa nacional de girassol.

 

“Comecei minha carreira ainda criança, ajudando meu pai com os trabalhos do meio rural. Cresci em uma propriedade rural no interior do Espírito Santo, e desde muito cedo eu sei o que é uma enxada, um trator, a vida que brota da terra, o trabalho duro e a importância da agricultura”, diz a diretora. “Eu me sinto bastante realizada tanto na atividade de pesquisa, quanto na de gestão, dois mundos absolutamente desafiadores, cada um a sua maneira. Quanto ao destaque, acho que a mesma fórmula vale para homens e mulheres: trabalho e dedicação.”

 

A força das mulheres no agronegócio

Vania enxerga a participação feminina na sua área de atuação como um “movimento que avança continuamente”. Embora o avanço venha mais lentamente do que a diretora gostaria, existem melhorias que, segundo ela, são resultados de muitos esforços. “É evidente que, com mais educação formal, nos tornamos cada vez mais aptas a trilhar carreiras científicas, de gestão ou quaisquer outras”, diz. “Ainda temos muitos problemas a suplantar, como a grande e persistente diferença de remuneração média entre homens e mulheres, mas estamos no caminho.” Kátia Abreu, ministra da Agricultura, é a primeira mulher a ocupar o cargo e para Vania serve como exemplo dessa evolução. “É uma grande e competente produtora rural, liderança política do setor e, ainda mais, ministra da Agricultura em um país que é líder mundial nessa atividade”, afirma.

 

Segundo Vania, ela não enfrentou muitos percalços porque a Embrapa tem uma cultura bastante acolhedora. “É uma empresa grande, que está em todos os cantos do País e que, por isso, tem muitos sotaques, diversidade cultural e humana – e essa é uma das nossas vantagens”, afirma. “A condição de ser mulher, em uma sociedade que ainda carrega traços culturais machistas, tem lá seus dissabores cotidianos. Mas eu não passei, ao longo da minha carreira profissional, por nenhum problema grave.”

 

O desafio é produzir mais com menos

De acordo com a diretora, a Embrapa tem como desafio desenvolver soluções para segurança alimentar das próximas gerações, com recursos mais limitados. “Como empresa pública, nossos maiores desafios para 2016 estão relacionados ao aumento da eficiência. Com algumas restrições orçamentárias trazidas por um ciclo de arrefecimento da nossa economia, temos que fazer ainda mais, com menos.”

 

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