DATA: 22/02/2016

Moagem de cana no Norte-Nordeste deve cair para 51,7 milhões de toneladas

Impactada pela seca, região sofreu com queda de 30% na precipitação média em relação ao mesmo período de 2015

Os efeitos da seca continuam surpreendendo o setor sucroenergético do Nordeste do Brasil. Durante a entressafra e começo da colheita da região (abril a outubro), as áreas produtoras receberam uma média de 843 mm de chuva, 30% abaixo do mesmo período no ano passado e 32% abaixo da média histórica.

 

Com isso, a INTL FCStone espera que a safra de cana-de-açúcar do Norte-Nordeste termine com moagem de 51,7 milhões de toneladas, 14,9% abaixo de 2014/15. Apesar dos últimos dados do Ministério da Agricultura (referentes à primeira quinzena de janeiro) apontarem queda de apenas 1,8% na moagem acumulada em relação à safra anterior, muitas usinas já estão encerrando as atividades com antecipação e a maioria das empresas prevê terminar a temporada mais cedo que o usual devido à falta de cana.

 

“A maior parte das plantações nos três principais estados canavieiros da região registra produtividade agrícola inferior às expectativas”, diz o analista da INTL FCStone, João Paulo Botelho.

 

Os efeitos da seca sobre a produção de açúcar e etanol, entretanto, tem sido ligeiramente suavizado pela melhora no Açúcar Total Recuperável (ATR) médio da cana. A INTL FCStone projeta ATR médio de 126,9 Kg/t, 1,4% melhor que a safra anterior, levando o ATR total para 6,6 milhões de toneladas, 13,7% abaixo da temporada anterior.

 

Mesmo com o ATR melhor que a temporada anterior, o mix vem sendo mais direcionado para o etanol do que o esperado. A produção alcooleira deve consumir 52% da cana processada, 1,1 pontos percentuais acima da safra passada. Com isso, a produção de açúcar deve cair para 3 milhões de toneladas, enquanto o volume de hidratado produzido pode alcançar 970 milhões de litros e a de anidro pouco mais de 1 bilhão de litros.

 

“O principal motivo para esta mudança foi a redução na paridade entre o etanol e a gasolina C nos postos da região no começo da safra, graças ao aumento na tributação sobre o combustível fóssil no começo de 2015”, afirma Botelho. Este aumento de preços levou a paridade nos postos a registrar entre 71% e 72% na média dos principais estados consumidores ao longo dos meses de agosto e setembro, o que representa uma queda de 6 a 7 p.p. em relação às duas últimas safras. Com a melhor relação de preço, a demanda por hidratado aumentou significativamente, levando as usinas a focarem neste produto.

 


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