Soja

Mesmo com excesso de chuvas, paranaenses devem colher boa safra de soja

Segundo o Consórcio Antiferrugem, o Estado é o mais afetado pela ferrugem asiática, com 121 casos da doença

O Paraná, segundo maior produtor brasileiro de soja, já iniciou a colheita de soja. A safra 2015/2016 é marcada por chuvas acima da média registradas no Estado, desde o início do plantio até o começo deste ano. Ainda assim, é esperada uma boa safra de soja no Paraná. Segundo dados da Secretaria de Agricultura do Paraná, 87% das lavouras de soja do Estado estão em boas condições, 11% são consideradas médias e apenas 2% das lavouras estão ruins. Os produtores só devem redobrar o cuidado na lavoura para evitar a propagação da ferrugem asiática.

 

Embora em algumas regiões do Estado os sojicultores já estejam preparados para colocar as colheitadeiras em campo, alguns dos produtores ouvidos pela Successful Farming Brasil estimam atraso na colheita. Nelson Teodoro de Oliveira, presidente do sindicato rural do município de Campo Mourão, no Centro-Oeste do Paraná, não está muito confiante com a colheita desta temporada. Dono da Fazenda Paraíso, com 735 hectares destinados ao cultivo da soja, Oliveira conta que o excesso de chuva nos últimos meses atrasou o início da colheita, que está previsto para começar apenas no fim de fevereiro. “Agora parou de chover, mas, se continuar chovendo do jeito que estava, vai atrasar bastante”, diz Oliveira.

 

O plantio desta safra também sofreu atraso, também por causa do volume de chuva acima da média. Segundo Oliveira, a alta umidade também prejudicou a aplicação de defensivos. “Pelo excesso de chuva, não vai se repetir a safra do ano passado”, diz ele. Campo Mourão lidera entre municípios paranaenses com maior produção de soja na safra 2014/2015, seguido por Ponta Grossa e Cascavel.

 

Redução de produtividade

No Sudoeste do Estado, no município de Pato Branco, o início da colheita de soja está previsto para o dia 20 de janeiro. Porém, em algumas fazendas, os produtores começaram a colher na primeira semana de janeiro, atingindo cerca de 6% das lavouras de soja da região, onde foram plantadas sementes com um ciclo super precoce. “Hoje o tempo deu uma trégua, estávamos muito preocupados com o excesso de chuva proque as lavouras estavam produzindo pouco e perdendo peso”, diz Oradi Francisco Cadalto, presidente do sindicato rural de Pato Branco.

 

Nas lavouras precoces, a produtividade foi de 60 a 70 sacas por hectare na safra 2014/2015, enquanto neste ciclo, a média do que foi colhido até agora, ficou entre 40 e 50 sacas por hectares. “Em função do excesso de chuva e falta de luz, a produção ficou menor do que no ano passado”, diz Cadalto. “De outubro para cá não tivemos três dias seguidos com sol, foi horrível realizar os tratos culturais após o plantio.”

 

Em sua propriedade, na Fazenda Cadalto, o presidente do sindicato de Pato Branco tem 300 hectares plantados com soja. Ele vai começar a colher na quinta-feira (14/01) e prevê resultados melhores do que na safra passada. Os 300 hectares de soja devem ser colhidos até o fim de fevereiro. “A lavoura está com o corpo muito grande, ela anuncia uma produção razoavelmente boa, mas é melhorar esperar até colher”, diz o produtor. Na safra 2014/2015, ele conseguiu 50 sacas por hectare e neste ano estima, no mínimo, 60 sacas por hectare. “Nós plantamos na época certa, mas se fosse menos chuva poderíamos produzir ainda mais”, afirma.

 

Ferrugem asiática

Os altos índices de umidade deixaram os produtores paranaenses em alerta para o surgimento de doenças causadas por fungos. Segundo o Consórcio Antiferrugem, o Brasil já registrou um total de 256 ocorrências de ferrugem nesta safra (lavouras comerciais e em soja guaxa), sendo o Paraná o Estado mais afetado pelo fungo, com 121 casos registrados até o dia 13/01. Segundo Oliveira, produtor de Campo Mourão, na sua lavoura já está aparecendo focos da doença.

 

O município de Pato Branco promoveu eventos em parceria com a Embrapa e cooperativas para orientar o produtor sobre produtos que já não tinham eficiência para controlar a ferrugem asiática. “Era preciso monitoramento constante e o pessoal foi muito competente nesta safra”, diz Cadalto, presidente do sindicato rural de Pato Branco. “Posso afirmar que neste ano temos menos ocorrências do que no ano passado.”

 

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