Pecuária leiteira

Mercado do leite foi marcado pelo desequilíbrio entre oferta e demanda em 2017, diz Cepea

De acordo com o Cepea, 2017 foi um ano difícil para a pecuária leiteira e marcado pela forte volatilidade de preços

O ano de 2017 se iniciou com os preços do leite pagos ao produtor nos maiores patamares da série histórica do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, iniciada em 2004, considerando-se os meses de janeiro. Isso é resultado do período de baixa oferta e de alto custo de produção verificados no ano anterior. Parte dos agentes de mercado já sabia que esta era uma situação excepcional e que sua manutenção era quase improvável. No entanto, a queda precoce dos preços já em junho, em plena entressafra da produção, surpreendeu muitos produtores.

 

Mercado do leite em 2017

No balanço realizado pelo Cepea, 2017 foi um ano difícil para a pecuária leiteira e marcado pela forte volatilidade de preços, ainda que os custos de produção tenham se mantido praticamente estáveis. O desequilíbrio entre oferta e demanda se mostrou mais forte em 2017 e ressaltou as fragilidades da cadeia láctea.

 

Nos primeiros meses de 2017, os valores elevados do leite no campo e os menores preços do milho e do farelo de soja motivaram produtores a investirem na atividade e a aumentarem a produção. De acordo com o Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-L), que monitora a aquisição das indústrias mensalmente, a captação de leite subiu 9,38% na “média Brasil” (que considera os estados de BA, GO, MG, SP, PR, SC, RS) de janeiro a novembro, resultado puxado, principalmente, pelo Sul do Brasil. Na comparação da média de janeiro a novembro de 2017 com a do mesmo período de 2016, o incremento é de 7,76%.

 

Aumento na produção

O aumento da oferta de matéria-prima no campo, porém, superou a demanda, que já vinha enfraquecida desde 2016. Segundo o Cepea, por conta da recessão econômica, consumidores brasileiros foram às compras com mais cautela, diminuindo a aquisição de produtos que não são considerados essenciais – o caso da maioria dos produtos lácteos. Segundo cálculos do Cepea, o consumo aparente de lácteos per capita caiu 2,2% de 2013 para 2016, com média de 171,2 litros de leite.

 

A diferença entre o aumento na produção e a queda da demanda levou à desvalorização acumulada de 22% do leite no campo de junho a outubro. Na média desse período, o preço ao produtor ficou 19% abaixo do registrado no mesmo intervalo de 2016. Na média de janeiro a dezembro de 2017, o recuo no preço é de 9% na comparação com 2016, em termos reais (valores deflacionados pelo IPCA de novembro/17).

 

Diminuição da receita

De acordo com o Cepea, a diminuição da receita preocupou produtores, que recorreram a associações e órgãos governamentais para reivindicar medidas que segurassem as cotações no campo. A principal bandeira levantada foi a de que as importações uruguaias de leite em pó a preços baixos estavam prejudicando a competitividade do mercado nacional. Após meses de pressão por parte de associações de produtores, em outubro, o Mapa suspendeu as importações uruguaias, alegando suspeita de haver triangulação na compra e venda do produto. A medida, contudo, ficou vigente por apenas 27 dias, visto que as negociações estavam em conformidade. A suspensão das importações uruguaias suscitou expectativas infundadas de recuperação de preços domésticos, já que a formação da cotação no mercado interno não é diretamente influenciada pelas compras externas.

 

Importações de lácteos em 2017

“Vale destacar que as importações de lácteos em 2017, na verdade, apresentaram fortes quedas se comparadas às de 2016”, diz o Cepea. O volume total importado foi de 72 mil toneladas, 48,5% abaixo de 2016, sendo que, só de leite em pó, foram 39 mil toneladas, 56,1% a menos que no ano anterior. Foram importadas 17,7 mil toneladas de leite em pó uruguaio, 69,1% abaixo de 2016. Esse volume não chega a representar 2% do total de leite produzido no Brasil.

 

A temporada de 2017 evidenciou um sério desafio da cadeia láctea, que é encontrar o equilíbrio entre oferta e demanda e diminuir a volatilidade de preços no mercado interno. A “montanha russa” de preços observada nos últimos anos expõe as fragilidades do setor e ressalta a importância de se colocar em discussão assuntos, tais como a ampliação das negociações com o mercado externo, a necessidade de elevar a qualidade da matéria-prima, a efetividade das políticas de pagamento por qualidade, a importância da transparência das negociações entre os elos da cadeia de elevar o nível de gestão de fazendas e indústrias, o desafio de estimular o consumo de lácteos e a necessidade de criar políticas públicas de longo prazo para o setor. “O caminho, com certeza, é árduo, mas, se 2017 trouxe algo de positivo foi, justamente, as maiores organização, articulação e profissionalização do setor – bons sinais de que a mudança já começou”, diz o Cepea. Fonte: Cepea.

 

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