DATA: 25/11/2015

Venda de flores movimentou mais de R$ 10 bilhões no Brasil em 2014

O setor quer aumentar as vendas internas do produto, facilitar o acesso ao crédito e readequar a legislação tributária

A cadeia produtiva de flores e plantas ornamentais movimentou mais de R$ 10 bilhões e gerou 190 mil empregos diretos no Brasil em 2014. Somente em salários foram investidos R$ 2,8 bilhões e em impostos foram gerados R$ 2,5 bilhões. Os dados fazem parte de um mapeamento divulgado na terça-feira (24/11), em Holambra, durante o 4º Seminário do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor).

 

O levantamento mostra também que o PIB da cadeia de flores no Brasil foi de R$ 4,5 bilhões e a movimentação financeira, de R$ 10,2 bilhões. Entre os principais canais de distribuição do varejo, os decoradores foram os que mais faturaram em 2014, cerca de R$ 2,3 bilhões, seguidos pelas floriculturas, com R$ 984,3 milhões.

 

Tanto os números de importação como de exportação de flores ainda são poucos significativos, representando apenas 1% desse mercado. A balança comercial do setor é negativa: o Brasil importa R$ 83 milhões e exporta R$ 55 milhões.

 

Segundo a pesquisa, a força econômica da cadeia está nas cooperativas. As três principais cooperativas do país estão em São Paulo – Veiling Holambra, Cooperflora e SP Flores. O Estado de São Paulo representa 40% do mercado de flores do País. “O sistema de produção e mercantilização dessas cooperativas faz frente às melhores tecnologias do mundo. O problema é que, se sairmos de São Paulo, a produção de flores ainda é independente e carente de tecnologia”, diz Fava Neves, organizador do estudo.

 

Para Neves, o caminho da profissionalização da cadeia está na formação de cooperativas e na criação de uma rede de expansão tecnológica, que permita levar o benchmarking das grandes cooperativas aos produtores em outras localidades. “Mais de 70% da produção de flores no país está fora das grandes cooperativas. É preciso disseminar tecnologia, assistência técnica, formação profissional para toda a cadeia produtiva”, diz o pesquisador.

 

Gargalos

O estudo trouxe ainda 10 pontos de uma agenda estratégica para o desenvolvimento do setor de flores no País. Entre eles, está o transporte e armazenagem mais adequados, com a modernização da Centrais de Abastecimento (Ceasas), a formação de profissionais especializados no segmento e a melhoria de fiscalização e controle para evitar a entrada de pragas e doenças no país.

 

O segmento também quer aumentar o consumo de flores, considerado baixo no Brasil. Cada brasileiro gasta US$ 9 por ano em flores e plantas ornamentais. Na Suíça, o gasto per capita anual é de US$ 174; na Noruega, é de US$ 164; na Holanda, US$ 80; nos Estados Unidos, US$ 58; Japão, US$ 45. Até o argentino compra mais flores do que o brasileiro, gastando US$ 25 por ano.

 

Outra dificuldade a ser vencida é o financiamento. O gargalo do acesso ao crédito se deve à necessidade de capital de giro, maior do que em outras atividades agrícolas. A produção da maioria dos tipos de flores e plantas ornamentais ocorre o ano todo, com diferentes ciclos de produção, o que significa que os produtores cultivam e comercializam a sua produção frequentemente ao longo do mesmo ano, demandando regularmente insumos, pessoas, serviços de transporte, entre outros itens de despesa. Além das necessidades de capital de giro, a atividade depende de recursos para investimentos, como estufas, sistemas de irrigação, climatização.

 

O último item da agenda estratégica se refere ao conjunto de leis que impacta diretamente o setor produtivo, como a Legislação Tributária: reenquadramento legal dos micros, pequenos e médios produtores; adequação das políticas tributárias à realidade do setor; o uso de incentivos tributários como forma de combate à informalidade; e a isonomia do ICMS entre os Estados.

 

Desenvolvido pela Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia da Universidade de São Paulo (Fundace/USP), o Mapeamento e Quantificação da Cadeia Produtiva de Flores e Plantas Ornamentais do Brasil em 2014 foi financiado por meio de um convênio entre o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp).

 


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