DATA: 17/09/2015

Mercado de flores deve movimentar R$ 6,2 bilhões em 2015

Cooperativas do setor estão otimistas com as previsões de crescimento

O mercado brasileiro de flores deve movimentar R$ 6,2 bilhões até o fim de 2015. No ano passado, flores e plantas ornamentais renderam R$ 5,7 bilhões ao País, de acordo com dados divulgados pela Sociedade Nacional de Agricultura (SNA). As cooperativas do setor estão otimistas com as previsões de crescimento para este ano.

Fontes do setor creditam a expectativa positiva a novas variedades de flores e plantas ornamentais; aos investimentos em reservatórios para captação da água da chuva e em sistemas mais eficientes e adequados de irrigação – como gotejamento e inundação com reaproveitamento após o filtro -, para evitar desperdícios e driblar a crise hídrica; além da instalação de caldeiras movidas a lenha, cavaco e/ou a gás para climatização das estufas, de forma a minimizar os custos com a energia elétrica.

“Estou há 25 anos no mercado e esta não é a primeira crise que o País atravessa. Já tivemos situações piores e o consumidor não deixou de comprar flores. Quem está investindo este ano vai colher bons frutos, quando o mercado se estabilizar”, aposta o engenheiro agrônomo Renato Optiz, presidente da Câmara Setorial Estadual de Flores e Plantas Ornamentais e diretor de Marketing do Instituto Brasileiro de Flores (Ibraflor).

“Estamos ligeiramente otimistas. Tomamos a decisão de não participar desta crise”, reforça Kees Schoenmaker, presidente do Ibraflor.

Na opinião de Optiz, o principal desafio do setor é reduzir as perdas no processo, tanto na embalagem quanto no transporte.

“Como o clima do Brasil é muito quente, as flores se deterioram rapidamente e exigem um ambiente refrigerado após a colheita. Por isto, é preciso continuar melhorando a cadeia do frio para garantir que elas cheguem com qualidade ao consumidor”, sugere.

Schoenmaker aponta como desafios manter os custos sob controle e melhor a automação e a mecanização, além de aprimorar a cadeia de frio. “Buscamos a satisfação do consumidor.”

PRODUÇÃO FAMILIAR

O cultivo de flores tem despertado a atenção de agricultores familiares. Eventos como a Hortitec e a Enflor, realizados anualmente em Holambra, no interior de São Paulo, têm recebido caravanas de produtores da agricultura familiar interessados em conhecer sobre flores.

“Trata-se de uma alternativa interessante para geração de renda em uma pequena área”, garante Optiz.

Segundo Schoenmaker, 75% a 80% dos produtores de flores são de pequeno porte.

“Este é o perfil ideal para a atividade, mas exige muito profissionalismo, pois o mercado é bastante concorrido”, avisa.

O presidente do Ibraflor ainda ressalta que o cultivo de flores oferece muitas possibilidades para o pequeno produtor, desde que a propriedade fique perto do mercado consumidor, no máximo, cem quilômetros de distância, a não ser que esteja reunido em cooperativa. “Quanto mais perto, mais viável.”

De acordo com Schoenmaker, o mercado brasileiro de flores e plantas ornamentais responde por 215.818 empregos diretos, sendo 78.485 (36,37%) na produção, 8.410 (3,9%) na distribuição, 120.574 (55,87%) no varejo e 8.349 (3,8%) em outras funções, especialmente como apoio. O consumo brasileiro de flores é de R$ 26,68 por habitante ao ano.

BOA EXPECTATIVA

Duas cooperativas de flores de Holambra (SP), que respondem por 50% de todo o mercado nacional de flores, têm boa expectativa para 2015. A Cooperflora, que reúne 52 produtores e atende a 400 clientes com uma produção semanal de 2 milhões de hastes, projeta crescimento entre 7% e 10%.

Já a Cooperativa Veiling Holambra, com 360 associados e 500 clientes ativos, que participam de leilões reversos diários para abastecer atacadistas e varejistas de flores, espera faturar R$ 550 milhões, um aumento de 8% a 12% em relação ao ano passado.

Há seis anos, a Veiling praticamente deixou de exportar para atender à demanda do mercado brasileiro. Atualmente, abre exceções apenas para pequenos compradores da Argentina, Paraguai e Uruguai.

A comercialização de flores e plantas ornamentais é feita em cerca de 60 centrais de atacado cadastradas, 650 empresas atacadistas e 21.124 pontos de vendas no varejo, além de 30 feiras e exposições realizadas no País.

Uma amostra do que representa o setor, as novidades e as tendências mundiais podem ser conferidas na Expoflora – maior exposição de flores e plantas ornamentais da América Latina –, que acontece em Holambra no próximo dia 27 de setembro.

* Com informações da SNA


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