DATA: 08/01/2016

Mercado de cápsulas de café vai triplicar no Brasil até 2019

A queda da patente da Nespresso e a oferta de máquinas mais baratas será responsável por impulsionar esse nicho de mercado

Uma pesquisa da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), realizada anualmente, visa mostrar aos seus associados as expectativas e o desenvolvimento do mercado de café especiais. O estudo, que procura antecipar tendências de consumo, revelou que o setor de cápsulas deve crescer três vezes mais até 2019.

 

De acordo com a pesquisa, que entrevistou 50 estabelecimentos em São Paulo e Rio de Janeiro (entre cafeterias e outros), além de 1.078 consumidores de café do País, os cafés especiais devem ganhar espaço. A maioria das vendas entre 2015 e 2019 ainda será gerada pelo produto em grãos e pelo café moído, entretanto, com maior atenção aos gourmetizados e aos especiais de qualidade.

 

Cápsulas

As cápsulas, que são uma categoria em forte ascensão, no entanto, terão as maiores taxas de crescimento global. Lançamentos inovadores em sabores e preços serão drivers da categoria. Entre 2014 e 2019, o mercado brasileiro de café poderá crescer até 7,7%, devido a ascensão das cápsulas, o que vai gerar uma receita de R$ 20 bilhões.

 

De acordo com a pesquisa da Abic, os consumidores estão começando a diferenciar o café por tipo de grão, suas intensidades e sabores, e a tendência é aprimorar. “Em razão da praticidade e do barateamento das máquinas de café em cápsulas, as pessoas devem cada vez mais optar por esse tipo de produto em suas casas, em detrimento do preparo do café em pó”, afirma o diretor-executivo de Abic, Nathan Herszkowicz.

 

A maior oferta de máquinas mais baratas será responsável por impulsionar esse nicho de mercado. A queda da patente da Nespresso fez com que se tornasse mais acessível o consumo frequente de cápsulas. No entanto, segundo a Abic, o grande crescimento se dará através de máquinas mais acessíveis como Dolce Gusto e Três Corações, que podem ser encontradas nos principais varejistas.

 

A força do brasil

O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café verde (cru, em grãos) e apenas 10% do volume embarcado é do produto torrado e moído, de maior valor agregado. Para atender a demanda interna, nos últimos cinco anos o Brasil quadruplicou as importações de café em cápsula, que demandou US$ 60 milhões, em 2014.  O paradoxo é que, muitas vezes, os grãos que vão para a Europa retornam ao mercado brasileiro, em cápsulas, com um valor muito superior.

 

Herszkowicz afirma que, há um ano, cinco empresas comercializavam cápsulas de café produzidas no Brasil e, atualmente, esse número já chega a 60, com a produção terceirizada por empresas europeias. Ele aposta na mudança de cenário, a partir deste ano, com a entrada em operação de três grandes fábricas de cápsulas.

 


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