DATA: 10/12/2015

Mercados de aves e suínos fecham 2015 com recorde de produção e exportação

Neste ano, as exportações totais da avicultura e da suinocultura deverão atingir US$ 8,7 bilhões, o que equivale a R$ 25 bilhões

A crise econômica acertou em cheio o Brasil em 2015.  Em meio a este complexo cenário, a avicultura e a suinocultura foram impactadas em diversos momentos ao longo do ano. Por um lado, custos de produção apresentaram elevação, em especial, no segundo semestre, com a alta dos preços de milho e de soja.

 

Por outro, greves dos caminhoneiros (em fevereiro e em outubro) e dos fiscais federais agropecuários (setembro) reduziram, momentaneamente, o fluxo das exportações. O clima também afetou o ritmo dos embarques, com o fechamento parcial e total do Porto de Itajaí (uma das principais portas de saída das exportações do setor), ao longo da primeira quinzena de outubro.

 

Apesar disto, a avicultura e a suinocultura do País encerram 2015 com diversos recordes: na produção e nas exportações de frangos, na produção e no consumo per capita de suínos, na produção e no consumo per capita de ovos. A carne de frango, consolidado como quarto item da pauta exportadora nacional, alcançou em 2015 os três melhores resultados mensais da história das exportações do setor.

 

Novos mercados abriram as portas para as vendas de aves e ovos, e outras foram reabertas para suínos. Grandes importadores ampliaram os números de plantas habilitadas para aves, ovos e suínos. Neste cenário, as exportações totais da avicultura e da suinocultura deverão atingir, em 2015, US$ 8,7 bilhões, o que equivale a R$ 25 bilhões.

 

O consumo interno segue elevado e as três proteínas (frango, ovo e suíno) foram beneficiadas nas gôndolas pela alta nos preços da carne bovina. Além de ampliar sua participação no mercado, a avicultura e a suinocultura conseguiram manter sua competitividade, com a manutenção da desoneração da folha de pagamento. Outro fator favorável foi a alta do câmbio, melhorando a rentabilidade dos exportadores na conversão para a moeda nacional.

 

Frente a crise vigente no País, a avicultura e a suinocultura do Brasil encerram o ano com boas perspectivas para 2016. As projeções indicam crescimento na produção e nas exportações dos dois setores.  A solidez dos negócios deverá ser mantida, tanto internamente, quanto no mercado externo.

 

Frango

A produção brasileira de carne de frango deverá chegar a 13,136 milhões de toneladas em 2015, volume 3,5% superior ao obtido pelo setor no ano passado, com 12,691 milhões de toneladas.  Com isto, o Brasil assume o segundo lugar no ranking dos maiores produtores de carne de frango, superando a China – que tem produção prevista de 13,09, conforme o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

 

Em alta, consumo per capita deverá crescer 1,05%, atingindo 43 quilos per capita no ano. Para 2016, o setor prevê um crescimento de 3% a 5% na produção. “Isto, diante da possibilidade de abertura de novos mercados para o frango brasileiros, além do impacto natural gerado pelo crescimento vegetativo da população e a esperada reversão da situação econômica do Brasil”, diz Francisco Turra, presidente-executivo da ABPA.

 

Neste ano, as exportações brasileiras de carne de frango deverão alcançar 4,260 milhões de toneladas, volume 4% superior ao obtido em 2014, com 4,1 milhões de toneladas. Em receita, o saldo previsto em Reais é de R$ 23,7 bilhões, uma elevação de 25% na comparação com o ano anterior.  Já em Dólares, é esperada uma retração de 11%, totalizando US$ 7,1 bilhões.

 

“Neste ano, além da abertura dos mercados da Malásia e Myamnar, o setor avícola foi favorecido pela habilitação de mais duas plantas para a China (totalizando 30 plantas habilitadas), além de 16 novas unidades exportadoras para o México, que agora conta com 20 plantas habilitadas”, diz Turra.

 

Para 2016, o setor prevê um crescimento entre 3% e 5% nos volumes embarcados.  “Temos boas expectativas quanto a abertura dos mercados de Taiwan e República Dominicana, além da habilitação de novas plantas para embarcar carne de frango do Brasil para a China. No radar do setor, também estarão a Austrália, Nova Zelândia, Camboja e o acompanhamento do painel contra a Indonésia”, afirma o vice-presidente de aves, Ricardo Santin.

 

Suínos

A produção brasileira de carne suína deverá atingir neste ano 3,643 milhões de toneladas, volume 4,9% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, que foi de 3,471 milhões de toneladas. O consumo per capita do Brasil chegará em 2015, pela primeira vez na história, a 15 quilos, índice 2,7% superior em relação ao registrado em 2014.

 

Para o próximo ano, o setor de suínos prevê um crescimento de 2% a 3% na produção nacional.  “Para tanto, além do incremento dos embarques, espera-se uma leve alta no consumo per capita do Brasil”, afirma Turra.

 

As exportações brasileiras de carne suína em 2015 deverão atingir 550 mil toneladas, elevação de 8,9% em relação as 505 mil toneladas obtidas no ano anterior.  Em reais, os embarques deverão render um total de R$ 4,3 bilhões, número 14% superior ao de 2014.  Já em dólares, há uma retração esperada de 20%, totalizando US$ 1,2 bilhão.  “No ano passado, a aceleração das vendas para o Leste Europeu pressionou os valores de venda, que atingiram altas históricas. Neste ano, vimos uma readequação dos níveis dos preços a patamares equivalentes ao de anos anteriores, o que justifica a retração da receita”, diz Turra.

 

“Neste ano, o grande destaque foi a Rússia, responsável cerca de 45% do total exportado pelo país, com uma elevação média de 30% nas compras deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado”, afirma o vice-presidente de suínos, Rui Eduardo Saldanha Vargas.

 

Para 2016, o setor prevê um crescimento entre 2% e 3% nos embarques realizados pela suinocultura do Brasil. “Além da melhoria da performance das vendas para o Leste Europeu e grandes compradores da Ásia (como Hong Kong e Singapura), espera-se que as duas novas plantas habilitadas influenciem positivamente os embarques para a China.

 

Há, também, boas expectativas quanto à abertura do mercado da Coreia do Sul, Austrália, Nova Zelândia e Unirão Europeia”, diz Turra. Segundo Vargas, também está no radar a abertura para venda ao varejo na África do Sul, além da possível elaboração do protocolo de miúdos para embarques à China.

 

Ovos

A produção brasileira de ovos deverá atingir 39,5 bilhões de unidades de ovos em 2015, número 6,1% superior as 37,2 bilhões de unidades registradas no ano. Em saldo recorde, o consumo per capita de ovos no Brasil deverá chegar neste ano a 191 unidades, número 4,8% superior ao total de 2014, que foi de 182 unidades. Para o próximo ano, o setor produtor de ovos prevê crescimento de até 2% na produção total.

 

As exportações brasileiras de ovos (in natura e processado) devem totalizar neste ano 20,7 mil toneladas, saldo 70% superior ao alcançado em 2014 – com 12,2 mil toneladas.  Com isto, o setor deverá obter receita em reais de R$ 90 milhões (+120%), e em dólares, de US$ 26 milhões (+54%).

 

Neste ano, o setor conquistou um novo mercado: o Japão, um dos mais exigentes do mundo. Para 2016, os exportadores de ovos preveem níveis equivalentes aos embarcados neste ano.  A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos deverão manter o fluxo de negócios do segmento.

 

Perus

Conforme as previsões da ABPA, a produção brasileira de carne de peru deverá chegar a 329 mil toneladas em 2015, número 0,1% superior em relação ao total de 2014. As exportações brasileiras de carne de peru deverão atingir neste ano 133 mil toneladas, saldo 6,3% maior na comparação com o registrado no ano anterior. Com isto, o setor deverá obter receita em reais de R$ 950 milhões (+21%), e de US$ 287 milhões em dólares (-13%).


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