DATA: 06/01/2016

Mato Grosso registra primeiro caso de ferrugem asiática da safra 2015/2016

Sul do País é a região mais afetada pela doença, enquanto Mato Grosso tem cenário atípico por causa da estiagem nesta safra Darlene Santiago

O primeiro caso de ferrugem asiática em plantação de soja comercial do Mato Grosso, na safra 2015/2016, foi registrado nesta quarta-feira (06/01) pelo Consórcio Antiferrugem. A doença foi confirmada em uma fazenda no município de Primavera do Leste. Outros cinco casos de ferrugem em plantas guaxas foram confirmados no Estado entre setembro e novembro do ano passado.

 

Segundo a doutora em Fitopatologia Cláudia Godoy, pesquisadora da Embrapa Soja e coordenadora do Consórcio Antiferrugem, a incidência da doença é atípica nesta safra. “Normalmente, o Mato Grosso tem uma pressão maior de ferrugem por causa das chuvas que favorecem a incidência do fungo”, diz. Porém, segundo a pesquisadora, com a estiagem causada pelo fenômeno El Niño, a doença demorou a aparecer. Mas, isso não significa que o produtor deve se descuidar. “Fica o alerta da ferrugem em Primavera do Leste. O fungo se propaga pelo vento, o produtor dessa região deve ficar atento”, diz Cláudia.

 

Enquanto há uma menor ocorrência da ferrugem asiática no Mato Grosso, na região Sul do País, o cenário é o oposto. Com chuvas excessivas, houve atraso no plantio e o tempo úmido favorece o aumento do problema. “No Paraná, a ferrugem já está praticamente em todo o Estado”, afirma Cláudia. “Ainda tem muita soja nova no campo, então vai haver uma forte pressão de ferrugem.”

 

Incidência da ferrugem

A safra 2015/2016 contabiliza um total de 218 casos confirmados de ferrugem, em lavouras comerciais e de soja guaxa. O Paraná lidera o ranking, com 117 ocorrências, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 62 casos. São Paulo e Mato Grosso do Sul registraram 13 casos.

 

Controle constante

Para a pesquisadora Claudia Cruz, o sojicultor brasileiro está acostumado a lutar contra a ferrugem, porém, o manejo pode melhorar. “A gente não está vendo caso de descuido, mas, alguns produtores estão usando fungicidas com baixa eficiência”, diz ela.

 

Há ainda a dificuldade no diagnóstico. “Não é fácil identificar a ferrugem no início do desenvolvimento. Quando o produtor observa a folha amarelar, isso significa que a doença já está presente há mais de 30 dias.”

 

Segundo a pesquisadora, a ferrugem continua sendo uma doença bastante agressiva, que afeta a soja em várias regiões, além disso, o fungo está se adaptando e se tornando mais resistente aos defensivos. “Uma das estratégias de controle é plantar cedo, porque o vazio sanitário reduz o inócuo do fungo, e aplicar bons fungicidas.”

 

A maior incidência da ferrugem ocorre nos plantios mais tardios, após o mês de novembro. Como a semeadura da soja foi prorrogada para as regiões Norte, Nordeste e o Estado de Goiás até 15 de janeiro, e também houve prorrogação no Mato Grosso, a ferrugem pode ganhar força nesta safra.

 


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