Colheitadeira.

Mato Grosso e Matopiba puxam produção de soja para baixo, diz INTL

Cada vez mais longe da expectativa das 100 milhões de toneladas, consultoria prevê recorde mais ‘tímido’

O Brasil deve colher uma produção de soja recorde, mas o número estimado pela consultoria INTL FCStone tem declinado. Na revisão de abril, o grupo projetou 97,5 milhões de toneladas, contra 98,6 milhões de toneladas calculados no mês anterior, uma queda que se deve às reduções de produtividades do Mato Grosso e Matopiba (região que compõe os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), duas importantes regiões produtoras.

 

“No Mato Grosso, apesar do início de colheita ter registrado produtividades que surpreenderam positivamente, no final do ciclo houve uma queda brusca no rendimento das lavouras colhidas, especialmente no leste e norte do Estado”, diz a Coordenadora de Inteligência de Mercado da consultoria, Natália Orlovicin. Esse declínio puxou a média do estado para baixo das 3 toneladas por hectare, fazendo com que a sequência de expansão dos últimos anos seja interrompida.

 

Já no Matopiba, além de ter ocorrido uma troca de área para o milho por conta da seca prolongada, o clima não foi favorável em 2016. “Apesar de janeiro ter sido muito chuvoso, as precipitações se concentraram neste mês e praticamente cessaram nos meses seguintes, prejudicando a fase de enchimento de grão e portanto, a produtividade, que deve ser de apenas 2,26 toneladas por hectare”, completa Natália.

 

Para compensar parte da expectativa negativa, alguns estados superaram os potenciais e estão sustentando a produção brasileira em nível recorde. É o caso do Goiás e Rio Grande do Sul, que tiveram clima adequado durante todo o período da safra e devem colher volume além do esperado inicialmente.

 

Milho

Em sua revisão de abril, a INTL FCStone elevou a estimativa de produção para a safra 2015/16 para 84,6 milhões de toneladas, devido a aumentos da produção esperada para safrinha, enquanto houve um leve recuo no volume projetado para a safra de verão, que ficou em 28 milhões de toneladas.

 

No caso da segunda safra, a consultoria trouxe, mais uma vez, uma elevação da estimativa de produção, que alcançou 56,6 milhões de toneladas, volume que configuraria um recorde histórico. “O momento atual, de disponibilidade restrita de milho no mercado interno, tem sustentando os preços em níveis elevados, o que é um incentivo ao cultivo da safra de inverno”, explica a Analista de Mercado, Ana Luiza Lodi. Com isso, houve um novo aumento na área plantada, especificamente no estado do Paraná, com o milho ganhando espaço sobre o trigo.

 

 

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