DATA: 22/09/2015

Luz ultravioleta combate os fungos do melão

A tecnologia limpa pode evitar que até 15% da produção brasileira da fruta seja afetada

Pesquisadores da Embrapa Agroindústria Tropical (CE) estão usando flashes de luz ultravioleta (UV) para combater os fungos do melão. A técnica é considerada uma tecnologia limpa e pode evitar que até 15% da produção nacional da fruta seja afetada. A equipe envolvida na pesquisa observou que a UV pode controlar o fungo Fusarium pallidoroseum, principal ameaça da cultura.

 

A infecção pode ocorrer no campo, logo após a colheita ou na empacotadora. Mesmo sob baixas temperaturas, necessárias para a exportação, o patógeno continua ativo. O grande problema é que existe apenas um agroquímico registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para o tratamento da podridão pós-colheita do melão, o Imazalil.

 

Conforme explica o pesquisador Ebenezer Silva, da Embrapa Agroindústria Tropical, há uma preocupação com as dosagens recomendadas do agroquímico, bem como com o período de carência (compreendido entre a última aplicação e o consumo). A falta de rigor na aplicação pode resultar na presença de resíduos acima dos limites máximos permitidos pela legislação.

 

O desafio dos pesquisadores é encontrar tecnologias limpas para combater o problema. Entre as alternativas estudadas, estão a termoterapia; a aplicação de compostos naturais, como óleos essenciais de espécies botânicas; e o uso de luz ultravioleta.

 

A luz ultravioleta contínua já é utilizada no controle de microrganismos em alimentos, água e ar. Diferente da luz aplicada de forma contínua, no modelo pulsado, a luz ultravioleta é armazenada em um capacitor e é liberada em flashes intermitentes, o que aumenta de forma instantânea a intensidade de energia. Por isso, o ultravioleta pulsado é mais efetivo e mais rápido na inativação de microrganismos. “O método não apresenta efeitos nocivos à saúde, não deixa resíduos e ainda pode aumentar o poder antioxidante das frutas”, completa o pesquisador.

 

Os pesquisadores da Embrapa observaram que o tratamento com luz ultravioleta pulsada pode apresentar um efeito prolongado de proteção dos melões. Isso ocorre porque a luz afeta o metabolismo do fruto e aumenta o teor de compostos fenólicos (substâncias antioxidantes) que atuariam como uma espécie de vacina contra o ataque de microrganismos.

 

Os cientistas ainda estão analisando a intensidade adequada de luz para o tratamento das frutas, mas os primeiros resultados são animadores. “Serão necessários novos projetos para finalização da tecnologia”, explica o pesquisador. Também participam dos trabalhos especialistas da Embrapa Tabuleiros Costeiros (SE) e Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ).


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