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Paranhos avalia a abertura de novos mercados e conta sobre projeções de crescimento da produção de carne bovina

O rebanho brasileiro de bovinos tem atualmente 212,3 milhões de cabeças, sendo 80% desses animais de raças zebuínas. É por isso que a Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ) é uma das principais das associações de pecuaristas do Brasil, com 22 mil associados e 600 mil animais registrados por ano. Luiz Claudio Paranhos, presidente da ABCZ, contou as novidades para a pecuária brasileira e perspectivas de produção durante entrevista coletiva em Uberaba (MG).

 

Successful Farming Brasil – Mesmo com a crise econômica e política, a pecuária brasileira vive um bom momento?

Paranhos

– Estamos num momento excepcional da pecuária nacional, da pecuária de corte e da produção de carne a preços nunca vistos antes na história desse País. Poderíamos estar ainda melhor se a situação econômica estivesse melhor. A gente vê que tem muitos empresários que não são exclusivamente da pecuária, que tem dois, três negócios e também tem pecuária, e eles estão retraídos. Muitas vezes, eles estão utilizando a produção pecuária para cobrir rombos em outros negócios, deixando de investir na produção. Mas o negócio está tão bom, que mesmo nessa situação ainda está dando certo. Foi o único negócio que cresceu no último trimestre.

 

SF – A previsão para 2016 é que valor bruto da produção agropecuária (VBP) seja de R$ 515,2 bilhões, sendo que a pecuária responderá por R$ 176,6 bilhões, pouco mais da metade do valor da agricultura. A pecuária brasileira pode ganhar maior relevância?

Paranhos

– Sim. A pecuária tem potencial e pode ser o grande player do agronegócio brasileiro, batendo inclusive o complexo soja. Há previsões de que podemos passar de 30 a 35 bilhões de dólares de faturamento em exportação de carne daqui a 15 anos, sendo a carne o principal produto nacional. Em vez de mandar soja e milho a preço de 400 dólares por tonelada, podemos mandar a carne a mais de três mil dólares a tonelada.

 

SF – Qual é a previsão de crescimento?

Paranhos

– A nossa projeção é passar de 10 milhões de toneladas de equivalente de carcaça para algo em torno de 20 milhões de toneladas de equivalente carcaça e grande parte desse acréscimo na produção de carne pode ser comercializada lá fora.

 

SF – Qual região do Brasil pode oferecer mais oportunidades para a pecuária?

Paranhos

– O Matopiba talvez seja a grande fronteira do agronegócio atual, com muita área para abrir. Eu conheço bem o Oeste da Bahia, por exemplo. São regiões que têm um potencial fantástico. É nessa fronteira que a gente vai aumentar a produção de carne e a produção de soja.

 

SF – O que pode impedir que a projeção de crescimento se torne uma realidade?

Paranhos

– Existe obviamente uma série de gargalos que impedem que isso aconteça. A primeira delas é o mercado externo, nós temos que conquistar esses mercados. É um grande desafio e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) tem trabalhado bastante nisso. Eu tive a oportunidade de viajar para a Índia e China numa missão oficial e vi o empenho gigantesco para a abertura de mercados, principalmente com a China.

 

SF – Quais são os outros gargalos?

Paranhos

– São muitos. Os principais são relacionados à infraestrutura, crédito, abertura de novos mercados e relacionamento entre os elos da cadeia produtiva. Todos eles devem ser construídos.

 

SF – Por que abrir novos mercados é tão importante?

Paranhos

– Precisamos ter para quem vender. Se produzirmos mais e não abrirmos novos mercados, o pecuarista quebra, porque tem que vender mais barato. Aí vai ter que diminuir a área de pastagem e produzir mais soja e mais milho.

 

SF – Qual é a principal aposta?

Paranhos

– Hoje, a exportação mundial gira em torno de 10 milhões de toneladas. A China é o grande mercado mundial. O chinês come hoje em torno de seis quilos de carne bovina por ano, se ele aumentar o consumo em um quilo, a gente não tem mais carne para oferecer. A ideia da China é importar, nos próximos anos, cinco milhões de toneladas de carne. Isso significa metade da carne que circula no mundo atualmente. Quem é que vai vender isso? O Brasil.

 

SF – Como a ABCZ avalia a abertura do mercado americano?

Paranhos

– Fantástica. As informações que nós temos é que está dentro do cronograma e vai sair até o fim deste ano. Para a gente é ótimo, se exportarmos para os Estados Unidos abrimos outros mercados porque vários países têm o protocolo americano como referência. Os Estados Unidos não vão exportar grandes volumes, mas é um referencial para a gente conseguir mercados, como países da América Central, Coréia e Japão, que são grandes consumidores de carne.

 

SF – Com os preços da carne bovina em alta, o consumidor acaba optando por produtos mais baratos, como a frango. Isso representa uma ameaça para o setor?

Paranhos

– Eu não tenho medo dessa substituição. Há espaço para todas as carnes. O brasileiro, o uruguaio e o argentino têm a carne bovina muito presente na dieta e isso não vai mudar. A carne é uma das últimas coisas que sai do carrinho do supermercado no momento de crise, segundo estudos da Esalq/USP.

 

SF – Qual é a missão da ABCZ para os próximos anos?

Paranhos

– A nossa missão é contribuir para o aumento sustentável da produção mundial de carne e de leite. A partir do registro genealógico e do melhoramento genético, que é o grande coração da entidade, e a promoção das raças zebuínas. Ao longo desses anos, a ABCZ incorporou também uma função de representação da pecuária nacional e do pecuaristas.

 

 

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