João Rebequi, presidente da Valmont no Brasil

O Brasil é uma grande potência, mas ocupa o sétimo lugar em irrigação. Mesmo com todos os sistemas, irrigamos por volta de 5% da área.

Darlene Santiago - DATA: 16/11/2015 Rebequi analisa o avanço da irrigação no Brasil e fala sobre como esse segmento deverá se comportar no futuro

Successful Farming Brasil – O Brasil irriga pouco?

João Rebequi

– O Brasil é uma grande potência, mas ocupa o sétimo lugar em irrigação. Recentemente, um estudo que aponta o potencial de irrigação do Brasil elevou a estimativa de um total de 30 milhões de hectares para 60 milhões de hectares. Se considerarmos que, mesmo com todos os sistemas, irrigamos por volta de 5% da área, observamos que ainda temos muito chão pela frente.

 

SF – O que falta para que a irrigação brasileira possa crescer?

Rebequi

– Falta o desenvolvimento de políticas regionais, nos âmbitos estaduais, que possibilitem o acesso ao crédito e ao licenciamento ambiental de maneira racional. Certamente isso seria um grande incentivo. Como exemplo, no Rio Grande do Sul tivemos o caso do “Mais água mais renda”, uma política regional que teve grande impacto local no avanço da irrigação.

 

SF – A oferta de crédito para a compra de equipamentos de irrigação é satisfatória?

Rebequi

– Nos últimos anos temos tido linhas de crédito adequadas com o crescimento das áreas. O importante é ter disponibilidade de recursos, o que vem acontecendo.

 

SF – De que forma a crise hídrica em São Paulo e a seca em outras regiões pressiona os irrigantes?

Rebequi

– A seca exige equipamentos bem regulados e com altos níveis de eficiência e, principalmente, a utilização de boas práticas de irrigação. Isso vale para qualquer região. Esse é um ano de El Niño, então com certeza teremos períodos de seca, principalmente no Nordeste.

 

SF – Agora é mais difícil conseguir outorgas de água?

Rebequi

– A outorga de uso da água é um processo, que não é facilitado ou dificultado em função de um momento, mas sim feito com base em estudos técnicos sobre o uso de água em cada bacia. Como o processo varia de cada estado, na maioria das vezes temos um tempo que pode variar de seis meses a dois anos para o deferimento do uso.

 

SF – Ainda é considerado caro investir em irrigação?

Rebequi

– Acredito que essa percepção do investimento em irrigação mudou bastante com o aumento considerável do preço do hectare agricultável no Brasil. Hoje, um projeto de irrigação pode variar de R$ 6 mil a R$ 10 mil por hectare e praticamente não existem áreas rurais nesse preço, portanto, sob esse ponto de vista, a irrigação é um investimento barato.

 

SF – É preciso investir em novas tecnologias?

Rebequi

– Sem dúvida. A irrigação no futuro será vista como parte do processo de precisão da propriedade rural, uma vez que a água é um insumo importantíssimo, que será cada vez mais controlado no processo de desenvolvimento da cultura integrada. Podem ser esperados investimentos na área de automação. A busca por um aumento de eficiência vai dirigir a indústria nos próximos anos.

 

SF – O manejo é importante?

Rebequi

– O manejo é a peça chave para o sucesso de um projeto de irrigação. Temos uma empresa do Grupo Valmont, a Irriger, que trabalha com o manejo de irrigação. Por meio dela, vemos nitidamente o ganho dos produtores que adotam práticas adequadas.

 

SF – Quais culturas têm um maior potencial de crescimento com a adoção da irrigação?

Rebequi

– Todas as culturas apresentam bons ganhos com a implementação de projetos de irrigação. De maneira geral, podemos afirmar que os ganhos de produtividade com uma irrigação bem feita podem variar de 20% a 40%.

 

SF – Quais serão os polos de irrigação no futuro?

Rebequi

– Há estudos que mostram que a irrigação irá crescer principalmente no Centro-Oeste e Nordeste. Um exemplo é o estado do Mato Grosso, que ainda possui uma grande oportunidade de crescimento em irrigação e, seguramente, veremos novos polos de irrigação na região, como nas cidades de Primavera do Leste e Sorriso. A região Matopiba, por ser uma das maiores fronteiras agrícolas, também será seguramente uma fronteira de irrigação. A Valmont tem novos distribuidores na região e já tem pivots vendidos e entregues.

 

SF – Como o senhor avalia o avanço da irrigação brasileira na última década?

Rebequi

– A última década foi muito positiva para a irrigação. Houve uma mudança no perfil do irrigante. Antes, era o produtor que buscava segurança e eficiência. Mas, com o aumento substancial do preço das áreas rurais no Brasil, houve o ingresso de um novo irrigante, aquele que busca o crescimento de seu negócio pela verticalização e não pela horizontalidade.

 

SF – Como a Valmont avalia o mercado brasileiro?

Rebequi

– Para a Valmont, o mercado do Brasil é estratégico e vem recebendo investimentos todos os anos. Depois dos Estados Unidos, somos o maior mercado da empresa. Continuaremos investindo e trazendo o que há de melhor em tecnologia de irrigação para o produtor brasileiro.

 

SF – A venda de máquinas agrícolas tem recuado significativamente em 2015. O mesmo acontece com o segmento de equipamentos para irrigação?

Rebequi

– Provavelmente 2015 será um ano de retração, como foi 2014. Para a Valmont, significa um ano de ajustes, mas vemos um horizonte de crescimento em 2016.

 

SF – Qual é a estratégia num momento de crise econômica e política?

Rebequi

– Nossa estratégia é focar em custos e caixa, focar no aspecto industrial. Acreditamos que a agricultura brasileira tem plenas condições de sair desse ambiente de crise e voltar a crescer.

 

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A seca exige equipamentos bem regulados e com altos níveis de eficiência e, principalmente, a utilização de boas práticas de irrigação. Isso vale para qualquer região. Esse é um ano de El Niño, então com certeza teremos períodos de seca, principalmente no Nordeste. João Rebequi, presidente da Valmont no Brasil