DATA: 18/11/2015

Irrigação de soja no Mato Grosso do Sul é economicamente viável

Segundo pesquisa da Embrapa, com preço da saca a partir de R$ 44,40 e produtividade mínima de 56,52 sacas por hectare, vale a pena investir em pivôs centrais

Irrigar soja na região sul de Mato Grosso do Sul pode ser viável, dependendo da produtividade e do custo da saca no mercado. Foi o que mostrou um estudo realizado pela Embrapa Agropecuária Oeste (MS), em parceria com a Universidade Federal da Grande Dourados, que avaliou o cultivo da soja RR1, uma variedade da Monsanto. A Embrapa informa que a região Sul do Estado sofre com a má distribuição de chuvas durante a safra de soja, de outubro a janeiro, além de estar sujeita à influência dos chamados “veranicos”, dias muito quentes de sol com ausência de chuvas.

 

A pesquisa considerou condições de irrigação por pivô central para a safra 2015/2016. A viabilidade da irrigação depende de fatores importantes como a quantidade de sacas produzidas por hectare e o valor de mercado da soja. Os especialistas descobriram que, com um preço da saca a partir de R$ 44,40 e uma produtividade mínima de 56,52 de saca por hectare, vale a pena investir em pivôs centrais para a irrigação da lavoura. Esse requisito está bem abaixo da produtividade estimada da região, que é de 70 sacas por hectare para a soja irrigada.

 

O trabalho foi realizado pelo administrador Alceu Richetti e pelos pesquisadores da área de Irrigação e Drenagem, Danilton Luiz Flumignan e Alexsandro Claudio dos Santos Almeida. Os dois primeiros pertencem ao quadro da Embrapa e Almeida é especialista da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Além dos custos de produção, os estudos analisaram gastos com as quantidades de insumos, operações agrícolas, gestão da propriedade, além da produtividade, ganhos obtidos e a eficiência produtiva e econômica.

 

Caso a produtividade caia para 43,5 de saca por hectare, o valor pago pela saca tem de ser de pelo menos R$ 71,50, segundo a pesquisa. “O trabalho sinaliza ganhos reais para o produtor irrigante. Mas é importante destacar que são necessárias 6,14 de saca por hectare somente para pagar o custo com a irrigação”, diz Richetti.

 

Foram considerados os preços de fatores e dos produtos vigentes para a safra 2015/2016, levantados no mês de junho de 2015. Richetti conta que foram incluídas a remuneração do fator terra, representada pelo valor do arrendamento por hectare e a remuneração do capital de custeio e de investimento (juros de 6% ao ano sobre o custo de produção, por um período de setes meses) nos custos de oportunidade. O custo de oportunidade compara o lucro de uma atividade com o lucro de outra.

 

Segundo Flumignan, até em épocas mais úmidas a irrigação nessa região do estado pode ser um bom negócio. “Mesmo nas safras de maior oferta de chuvas para o cultivo da soja, alguns eventos de irrigação seriam necessários para atingir o potencial produtivo”, afirma o pesquisador da Embrapa.

 


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