DATA: 27/01/2016

Insetos polinizadores colaboram para melhorar a produtividade agrícola

O aumento da densidade de polinizadores leva a um aumento constante da produtividade

O aumento da quantidade e da diversidade de insetos polinizadores como as abelhas em áreas de plantio é uma estratégia barata e sustentável para melhorar o rendimento de diversas culturas agrícolas em pequenas e grandes propriedades. A constatação está no artigo “Resultados mutuamente benéficos para diversidade de polinizadores e produtividade agrícola em pequenas e grandes propriedades”, publicado na revista científica Science na sexta-feira (22/01), e é fruto de um estudo internacional realizado com a coparticipação da Embrapa.

 

Pesquisa

 

O estudo da Science analisou dados coletados em 33 culturas agrícolas que dependem em algum grau de polinizadores em 344 áreas, pequenas e grandes propriedades na África, Ásia e América Latina. No Brasil, foram incluídos dados coletados sobre caju, canola, maçã, tomate, melão e algodão, sendo as duas últimas culturas estudadas pela Embrapa Semiárido (PE) e Embrapa Recursos Genéticos (DF) e Biotecnologia, respectivamente.

 

Os resultados mostram que a intensificação ecológica, que no jargão científico significa melhorar a produtividade das culturas por meio da gestão da biodiversidade, pode ser uma saída para o aumento da produção de alimentos, especialmente nos países mais pobres.

 

 

A análise dos dados mostrou que em áreas pequenas (menores do que dois hectares), um aumento da densidade de polinizadores leva a um aumento constante da produtividade. Já em grandes áreas (campos com mais de dois hectares) os benefícios só foram detectados quando a diversidade de espécies era elevada.

 

“A intensificação ecológica tem sido proposta por ecólogos como uma saída para manter a produção agrícola em áreas pequenas. O pequeno produtor, que não tem recursos para comprar insumos, pode se beneficiar da própria biodiversidade local para produzir alimentos”, diz a pesquisadora Carmen Pires, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.

 

Os autores afirmam ainda que a polinização deve ser considerada um insumo crítico na gestão das áreas agrícolas, e que a intensificação ecológica cria cenários do tipo “ganha-ganha” entre a biodiversidade e o rendimento das culturas, contribuindo dessa maneira para o desenvolvimento de sistemas agrícolas mais sustentáveis.

 

Abelhas aumentam produtividade do algodão em 27%

A contribuição da Embrapa no estudo deteve-se nas culturas do algodoeiro e meloeiro. Carmen Pires estudou a cultura do algodão e as pesquisadoras Márcia Ribeiro e Lúcia Kill, da Embrapa Semiárido, se debruçaram sobre a polinização do meloeiro. No caso do algodão, a cientista trabalhou entre 2010 e 2012 em três biomas brasileiros onde essa cultura tem grande expressão socioeconômica: o Cerrado, o sul da Amazônia e a Caatinga.

 

Os estudos foram feitos em pequenas e grandes propriedades, em áreas com e sem o uso de mecanização e insumos agrícolas, e também em locais que adotam o sistema agroecológico. Os resultados mostraram que há uma grande variedade de abelhas visitando as flores do algodoeiro, cerca de 130 espécies, e que a presença desses insetos está diretamente relacionada ao aumento de 18% em média na produtividade dessa cultura.

 

“O algodoeiro é uma planta que não depende da polinização promovida pelas abelhas, mas ele se beneficia quando é visitado por esses insetos, com aumento de produtividade”, afirma a pesquisadora Carmen Pires. Ao contrário do algodoeiro, no caso do melão, cabe às abelhas o papel quase exclusivo de polinizar as flores que se transformam nos frutos. Quando a presença delas e de outros polinizadores está em quantidade adequada ao tamanho da área cultivada, o agricultor pode ter certeza de uma boa produção.

 

Os resultados publicados no artigo fazem parte do projeto “Conservação e Manejo de Polinizadores para uma Agricultura Sustentável, através da Abordagem Ecossistêmica”, executado com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente GEF/PNUMA, órgãos ligados à Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e coordenado no Brasil pelo Ministério do Meio Ambiente.

 


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