DATA: 14/01/2016

Inseminação melhora qualidade do gado leiteiro no Rio de Janeiro

Produtores do município de Italva receberam mil doses de material genético

Nos últimos anos, quem vive da produção de leite em Italva, no Noroeste Fluminense, vem enfrentando várias dificuldades, como a queda de preço, a seca e a consequente escassez na alimentação do gado. Para reverter essa situação, o Programa Rio Rural, a Emater-Rio e a Pesagro-Rio estão incentivando a inseminação artificial do gado, para promover o melhoramento genético do rebanho e aprimorar seu potencial leiteiro. Além disso, trabalham para garantir a sanidade e alimentação de qualidade para os animais.

 

Na última segunda-feira (11/01), mil doses de sêmen foram distribuídas para onze criadores durante evento no Centro de Treinamento da Emater-Rio, em Italva. Produtores de cinco microbacias foram selecionados para receber o material genético, adquirido pelo Rio Rural. “Para a distribuição, levamos em consideração aqueles que têm perfil multiplicador e assim incentivamos outros produtores a adotar essa técnica”, afirma Carlos Marconi, supervisor local da Emater-Rio.

 

O programa Rio Rural, da secretaria de Agricultura e Pecuária do Estado do Rio de Janeiro também custeou a compra dos botijões nos quais as doses de sêmen são armazenadas, em nitrogênio líquido, a 400 graus negativos. Os recipientes estão sob a responsabilidade dos Comitês Gestores de Microbacias – Cogems. Os comitês e os técnicos executores do Rio Rural controlarão o número de doses a serem recebidas pelos produtores, que no próximo mês deverão fazer um curso específico de inseminação artificial no gado.

 

Aumentando a produção e rebanho

O produtor Ezio Garcia, da microbacia Valão da Prata, é um dos mais entusiasmados com o programa. Ele começou a fazer inseminação em seu rebanho há quase 20 anos, depois de constatar a baixa produtividade. “Eu comecei a anotar direitinho o que as vacas produziam. As melhores não davam mais do que três litros por dia. Era muito ruim. E, como algumas ainda estavam doentes, eu era obrigado a descartar parte da produção”, conta ele.

 

Mesmo sem muito dinheiro, Ezio começou a comprar algumas doses de sêmen no Espírito Santo e foi mudando o perfil do rebanho. Com o melhoramento genético, as vacas atingiram a cota de 15 litros ao dia cada uma, depois de cinco anos. “Hoje, dentro da agricultura familiar, ele tem um dos melhores rebanhos do Estado, com um alto rendimento e sem os recursos de um grande criador”, diz o técnico executor do Rio Rural, Edson Guimarães da Rocha.

 

Ezio tem 13 vacas leiteiras. “Você enxerga resultado. De três para 15 litros é muita coisa. Para chegar aqui, tive que investir e acreditar”, afirma. Na intenção de diminuir os custos com a contratação de um inseminador, ele mesmo aprendeu a aplicar as doses depois de um curso.

 

Gado inseminado

As vacas inseminadas com aptidão leiteira têm uma grande vantagem em relação às não inseminadas. “Com uma boa genética, as vacas têm uma conversão melhor, ou seja, conseguem transformar o alimento em leite com maior facilidade. Mesmo que elas comam a mesma quantidade que uma vaca comum, o rendimento é diferente”, conta Wagner Nunes, técnico da microbacia Valão da Prata, também em Italva.

 

Além do diferencial de produção em razão do potencial genético, se a alimentação for de qualidade, os resultados serão melhores. Essa condição vem sendo desenvolvida na propriedade de Ezio Garcia. “Estamos implantando um canavial de cana-de-açúcar irrigada que tem dois cortes por ano em vez de um só. E também vamos criar o sistema silvipastoril, consorciando pastagem e espécies leguminosas arbóreas, proporcionando conforto térmico, fixação de nitrogênio no solo, com consequente melhoria da pastagem”, diz Wagner.

 

O plantio da cana forrageira e o sistema silvipastoril estão sendo implantados no sítio de Ezio por meio da Unidade de Pesquisa Participativa (UPP) do Rio Rural. As UPPs são polos de pesquisa dentro de propriedades rurais que levam em consideração os estudos dos pesquisadores e o conhecimento adquirido na prática pelos produtores.

 


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