Vaca e seu bezerro. Vaca leiteira
DATA: 11/01/2017

Inseminação artificial: 6 dicas para não errar no processo

Pecuaristas devem se preocupar com assepsia, treinamento e cuidado com materiais usados durante o processo de inseminação Carolina Barros (carolina@sfarming.com.br)

A inseminação artificial é uma técnica muito usada por pecuaristas brasileiros para conseguir crias de rebanhos de corte ou estimular a produção de vacas leiteiras, após a prenhez. Um dos motivos para a adoção da tecnologia é que, dessa forma, o produtor tem mais controle sobre o rebanho do que se realizasse a cobertura de maneira natural. “A técnica é consagrada. A vaca é inseminada 12 horas após a detecção do estro [cio] ou, quando da utilização de protocolos de indução do estro, 16 horas após a administração do agente indutor da ovulação”, diz Mayra Ortiz Assumpção, professora e pesquisadora da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP).

 

1 – Como é feita a inseminação?

Mayra explica que, para o processo da inseminação, é preciso descongelar uma palheta que contenha sêmen e montar um aplicador. A vaca a ser inseminada deve ser higienizada e o aplicador é introduzido pela vagina do animal. O técnico ou veterinário que estiver realizando o procedimento deve guiar o aplicador por palpação retal, até que o aplicador ultrapasse toda a cérvix do animal. “A deposição do sêmen deverá ser feita no corno uterino”, orienta a pesquisadora. O corno uterino é a região do útero da vaca onde ocorrerá a gestação.

 

2 – Com que frequência pode ser realizada?

A inseminação artificial pode ser realizada sempre que a vaca apresentar estro, ou seja, o cio. O processo não oferece nenhum risco à saúde do animal desde que seja realizado por um técnico capacitado. “No entanto, um animal que seja inseminado repetidas vezes sem emprenhar, deve ser avaliado o motivo. Se a vaca não está ciclando, se é o sêmen, se é o inseminador”, conta Mayra. Ela explica que a eficiência reprodutiva é calculada pela taxa de concepção em relação a prenhez, que varia de 1,5 a 3 doses por prenhez. “Ou seja, num sistema eficiente, um animal que passou por três inseminações artificiais e não emprenhou deve ser retirado do rebanho”, afirma.

 

3 – Preparando a vaca para a inseminação

Antes do processo de inseminação, é preciso garantir que a alimentação e o manejo do animal estejam adequados. Sem isso, a inseminação não terá bons resultados. Também é preciso realizar a detecção do cio corretamente ou fazer um protocolo de inseminação em tempo fixo nos animais. Para a inseminação, Mayra explica que a vaca precisa ser contida em um tronco. O profissional realizando o procedimento precisa retirar o excesso de fezes do reto da vaca e limpar a região perivulvar e perianal. Depois, descongelar a amostra de sêmen, montar o aplicador e introduzi-lo pela vagina do animal.

 

4 – Cuidados com o sêmen

O sêmen utilizado deve vir de Centrais de Colheita e Processamento de Sêmen que sejam credenciadas pelo Ministério da Agricultura (MAPA). Além disso, deve ser armazenado corretamente em botijões de nitrogênio líquido, que precisam ter os níveis verificados frequentemente para evitar danos. O sêmen deve ser descongelado como recomendado pela central, imediatamente antes da inseminação. Mayra diz que, normalmente, a palheta de sêmen é descongelada em água a 35-37°C por 30 segundos. “A palheta não deve ser descongelada no bolso do inseminador, ao ar, ou qualquer outra maneira pois isso inviabiliza o sêmen”, afirma.

 

5 – Buscando eficiência

É importante que a inseminação seja realizada por alguém capacitado, para que tenha mais chances de funcionar e não prejudique o animal. “A técnica para bovinos é considerada transcervical profunda, pois deve passar todos os anéis cervicais e a deposição do sêmen é no corno do útero”, diz Mayra. Portanto, para ter domínio suficiente da técnica, o profissional realizando a inseminação precisa ter treinamento na área. No caso de quem realiza Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), é necessária a orientação de um Médico Veterinário.

 

Além disso, Mayra explica que é preciso capacitação frequente da mão de obra envolvida no processo, materiais de boa qualidade e procedência e higiene em todas as etapas. Também é fundamental cuidar de outros aspectos do rebanho e não focar somente no processo da inseminação. “Antes de se pensar em realizar uma biotécnica, o rebanho precisa estar sanitariamente e nutricionalmente atendido”, afirma.

 

6 – Problemas enfrentados

A pesquisadora conta que o principal problema é a detecção do cio de forma errada. Por causa disso, aumenta cada vez mais o número de adeptos aos protocolos de sincronização e indução da ovulação, como o IATF. Outro erro é que o pecuarista não faça seleção correta dos animais que serão inseminados. “Ela [inseminação artificial] não faz milagres, vacas magras, doentes, com histórico de problemas reprodutivos, não ficarão prenhes”, afirma Mayra.

 

Além disso, não avaliar o sêmen antes da estação de monta pode diminuir a eficiência da inseminação ou desorganização no controle das vacas inseminadas. Por exemplo, se uma vaca que já estava coberta for inseminada, o animal pode sofrer abortamento.

 

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