DATA: 05/10/2015

Indicações geográficas são sinônimo de qualidade nos cafés brasileiros

A combinação de solo, altitude, relevo e clima das regiões, são características que resultam no sucesso do grão do País

As condições geográficas do Brasil e o bom manejo da produção são alguns dos fatores determinantes na qualidade e correspondem à base para conquista dos mais variados sabores presentes nos cafés produzidos no País. A combinação de solo, altitude, relevo e clima das regiões, aliado aos cuidados durante o cultivo, colheita, secagem e armazenamento são características que resultam no sucesso do grão brasileiro no mercado internacional. “O Brasil destaca-se pela variedade de microclimas e condições geográficas regionais. Esses fatores fazem com que em um mesmo país, exista uma ampla gama de cafés, com características únicas, dependo da região em que se encontram”, diz o assessor técnico da Comissão Nacional do Café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Fernando Rati.

 

Atualmente, a produção brasileira e mundial de café resume-se em duas espécies: o arábica e o conilon, também chamado de robusta. O arábica é responsável por 75% e o conilon por 25% da produção total brasileira. A espécie conilon está presente em três regiões: Espírito Santo, Bahia e Rondônia. Por outro lado, o arábica se concentra principalmente, nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Bahia e Paraná. Dentre as regiões produtoras, a CNA promoverá um dia de degustação, em comemoração ao Dia Internacional do Café, com o conilon especial do Espírito Santo, o arábica da Mantiqueira de Minas, do Norte Pioneiro do Paraná, Alta Mogiana (SP) e Chapada Diamantina (BA). Os cafés foram fornecidos por parceiros das regiões mencionadas.

 

Características Sensoriais – Cada café produzido nessas regiões apresentam características sensoriais distintas, influenciadas principalmente pela altitude e manejo das lavouras. O café arábica produzido na Chapada Diamantina costuma ter uma doçura marcante, com nuances de melaço. As lavouras estão situadas entre 1100 e 1500 metros, e nesse caso, a altitude é um elemento natural decisivo a controlar a qualidade do café, pois, geralmente, quanto mais alto, mais aromáticos são os grãos.

 

Os cafés da Serra da Mantiqueira, pelas características de solo e microclima da região, apresentam sabor mais cítrico, que lembra frutas amarelas e vermelhas, e, também, possuem uma acidez marcante. O arábica da Alta Mogiana tem como principais características um corpo cremoso e aveludado, aroma marcante e frutado, com notas de chocolate e nozes e acidez equilibrada.

 

O café no Norte Pioneiro do Paraná é obtido a partir de variedades da espécie do arábica, sendo caracterizado pelo equilíbrio entre doçura, corpo e acidez. Já o conilon do Espírito Santo é mais encorpado que o arábica, apresentando notas entre chocolate e o caramelo. “As características sensoriais do café podem ser percebidas por meio do paladar e olfato. Quando se degusta um café, nota-se, por exemplo, o aroma, a acidez, o amargor, o corpo e a doçura”, diz Fernando.

 

Fatores de Qualidade – A qualidade de um café depende de uma série de fatores, entre eles estão a condução da lavoura, colheita, pós-colheita, secagem e armazenamento. Com relação à colheita e a pós-colheita, deve haver uma uniformidade na colheita de grãos maduros e uma secagem com cuidados para evitar fermentações indesejadas. “Em uma mesma planta de café, encontramos diferentes níveis de maturação como o estágio verde, maduro e passado. O café deve ser colhido quando estiver no ponto de maior maturação. Assim, há uma probabilidade maior de produzir cafés com maior qualidade”, diz Rati.

 

Indicação Geográfica – Atualmente, existem algumas praças produtoras do grão no Brasil que possuem Indicação Geográfica (IG): o Norte Pioneiro do Paraná, Serra da Mantiqueira em Minas, Cerrado Mineiro e Alta Mogiana de São Paulo. No país, a IG é uma forma de delimitação instituída oficialmente a uma região reconhecida pela reputação, qualidade do produto e tradição.

 

Trata-se de um território demarcado por produzir um produto que possui características únicas e que não podem ser encontradas em nenhum outro lugar. “A IG, na modalidade Indicação de Procedência (IP), tem como objetivo identificar que este produto faz parte da cultura do território. São cafés com identidade e alta qualidade resultantes da combinação de ‘saber fazer’, clima, solo e altitude”, esclarece Fernando.


Comente essa notícia.

Faça seu cadastro ou login gratuito para enviar comentários.

Leia mais