Hidrogel superabsorvente otimiza o uso de água na agricultura

Quando secos, eles se assemelham a pedaços de plásticos cortados, mas em contato com a água aumentam de volume como se fossem esponjas

Imagine colocar água nas plantas hoje, sair para viajar e ao retornar, dez dias depois, a terra continuar úmida e as plantas vivas, fertilizadas e saudáveis. Ou ainda desenvolver culturas agrícolas em solos áridos, otimizando o uso de água. E o melhor de tudo, saber que o produto que possibilita essas funcionalidades é feito com materiais naturais biodegradáveis e não agride a natureza. Pois se depender da professora Agnieszka Joanna Pawlicka Maule, do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP, e de seu orientando Rodrigo César Sabadini, isso vai se tornar realidade.

 

Segundo material divulgado pela Agência USP de Notícias, pesquisadores desenvolveram hidrogéis atóxicos para aplicação na agricultura. Quando secos, eles se assemelham a pequenos pedaços de plásticos cortados. Em contato com a água, aumentam de volume como se fossem esponjas. O projeto já foi submetido a um pedido de patente.

 

“A ideia é, primeiro, misturar os hidrogéis secos na terra onde está a planta e, depois, colocar água. O hidrogel absorve o excesso de água e vai liberando o líquido aos poucos, conforme a terra vai secando”, explica a professora. Também é possível produzir um hidrogel para liberação de fertilizante. “A vantagem é que essa liberação ocorre aos poucos, confome as necessidades das plantas”, diz.

 

Já existem produtos semelhantes no mercado, mas eles são fabricados com polímeros sintéticos. O grande diferencial dos hidrogéis desenvolvidos no IQSC é que as matérias primas são polímeros naturais biodegradáveis. A goma gelana (produzida por bactérias que vivem na raiz de uma planta aquática, mas que já é disponível por meio de culturas de laboratório) e a quitosana (obtida a partir de quitina, substância extraída da casca de crustáceos). Isso faz dos hidrogéis um produto biodegradável. “Ele também serve de nutriente para os microorganismos que estão no ar e na terra”, diz Agnieszka.

 

Para a professora, a grande vantagem é a otimização do uso de água, do uso de menos fertilizantes e por ser biodegradável. “O principal foco de utilização dos hidrogéis seriam as regiões áridas, mas nada impede de utilizá-los em qualquer outro local”, diz Sabadini. Sementes com hidrogel germinaram e tiveram bom crescimento, mas desempenho foi ainda melhor com hidrogel e fertilizantes.

 

Germinação e melhor crescimento

Os pesquisadores realizaram um experimento com sementes de alface em frascos de terra. No primeiro grupo foram colocadas apenas as sementes e sem hidrogéis; no segundo, sementes com hidrogéis; e no terceiro, sementes com hidrogéis e fertilizantes. Os três tipos de amostras receberam a mesma quantidade de água apenas uma única vez. Ao final de duas semanas, os frascos contendo apenas as sementes não germinaram. As sementes com hidrogel germinaram e tiveram bom crescimento; e os com hidrogel e fertilizantes além de germinarem, tiveram um crescimento melhor ainda.

 

A única desvantagem em relação aos produtos já disponíveis no mercado está ligada ao custo, devido ao alto preço das matérias primas utilizadas no hidrogel biodegradável. “O sintético é muito barato”, diz Sabadini. “No Brasil ainda não há cultura nem mercado para este tipo de matéria prima, por isso ele é muito caro. Já os derivados de petróleo [do qual se originam os polímeros sintéticos] são bem mais baratos. Mas isso pode ser revertido caso as normas de proteção ambiental entrem em vigor”, dia a professora Agnieszka.

 

 

 

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