DATA: 24/08/2015

Greening prejudica 35 milhões de pés de laranja

Levantamento feito pelo Fundecitrus mostra um crescimento de 159% da incidência da doença nos últimos três anos

Um levantamento realizado pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta que 17,89% das laranjeiras do parque citrícola de São Paulo e das regiões do Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais têm greening (HLB), doença causada por bactéria que compromete a produtividade dos pomares. O percentual corresponde a 35 milhões de plantas doentes no campo. Desse total, 44% das plantas apresentam sintomas severos da doença, o que significa uma perda de produção ao redor de 50% nas árvores afetadas, devido à redução do tamanho e à queda prematura de frutos.

 

A incidência do HLB aumentou 159% se comparado com os resultados da pesquisa anterior, realizada em 2012. A macrorregião mais afetada é a Sul, onde ficam as regiões de Limeira, Porto Ferreira e Casa Branca, que tem 42,5% das plantas dos seus pomares com sintomas da doença. Em seguida está a macrorregião Centro, que engloba as regiões de Matão, Brotas e Duartina, com 23,57% de suas laranjeiras afetadas. “Os números indicam que o citricultor tem que ser rigoroso na adoção das medidas de manejo da doença no seu pomar e nas áreas vizinhas, com controle sistemático do inseto transmissor e a eliminação de plantas doentes”, afirma o gerente geral do Fundecitrus, Juliano Ayres.

 

Para realizar o estudo, o Fundecitrus avaliou, nos meses de junho e julho de 2015, 24,2 mil plantas em todas as regiões do parque citrícola, estratificadas de acordo com variedade, idade e tamanho de propriedade. Foram observados a presença ou ausência de sintomas e sua severidade. Após a vistoria de campo, foi feita uma auditoria com novas inspeções e análise laboratorial.

 

O Fundecitrus também avaliou a incidência de Clorose Variegada dos Citros (CVC), conhecida também como “amarelinho” e constatou que a doença teve uma redução de 82% nos últimos três anos. Atualmente, 6,77% das laranjeiras do parque citrícola apresentam sintomas. O último levantamento, que foi realizado em 2012, apontava que 37,57% das plantas tinham CVC.

 

A doença teve decréscimo em plantas de todas as idades. Nas plantas jovens (com menos de 2 anos) se tornou praticamente inexistente. Também houve redução expressiva nas plantas mais velhas (acima de 10 anos), grupo que era o mais atingido pela doença e caiu de 61,33% das plantas em 2012 para 13,67%.

Contribuíram para este resultado a mudança no sistema de produção de mudas para estufas cobertas, no ano de 2003, o controle do inseto transmissor e a retirada de árvores doentes, com a renovação dos pomares.


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