Goiás tem potencial para avançar no setor de florestas plantadas

Embrapa lançou um amplo estudo sobre uso, demanda e potencialidades de plantios florestais no estado

A Embrapa Florestas acaba de lançar o livro “Diagnóstico do Setor de Florestas Plantadas no Estado de Goiás”, um amplo estudo sobre uso, demanda e potencialidades de plantios florestais no estado. O diagnóstico aponta que Goiás tem potencial para crescimento do setor de florestas plantadas: extensa área territorial; considerável percentual de áreas degradadas que podem ser recuperadas com plantios florestais; condições de clima e solo favoráveis em várias regiões mas, principalmente, pela demanda por produtos de base florestal (serrarias, construção civil, embalagens entre outros) e expansão do agronegócio, que necessita de plantios florestais para produção de energia.

 

Situado na região Centro-Oeste do país, que hoje é considerada uma das novas fronteiras da silvicultura, Goiás carecia de informações e análises a respeito do setor. “Existia uma enorme carência de informações disponíveis e sistematizadas sobre esse setor, o que dificultava a formulação de políticas públicas de incentivo ao plantio de florestas e de valorização dos produtos florestais oriundos dessa importante atividade comercial”, explica uma das autoras do livro, a pesquisadora Cristiane Fioravante Reis, da Embrapa Florestas.

 

Hoje, a produção florestal goiana está especialmente voltada ao setor energético, com plantios utilizados como fonte de energia em processos industriais e na secagem de grãos, em especial plantios de eucalipto. “O município de Rio Verde, por exemplo, se destaca como maior produtor de lenha do Estado e também do País, em razão de demandas do agronegócio”, explica a pesquisadora. Durante muitos anos, a produção extrativista de madeira no Estado de Goiás abasteceu os segmentos de lenha, carvão vegetal e madeira em tora. Entretanto, desde 1990, essa produção tem decaído de forma expressiva, dando lugar a plantios florestais com esta finalidade, o que reduz a pressão (extrativismo) sobre as florestas nativas.

 

Atualmente, o eucalipto é o gênero mais plantado no estado, com cerca de 121 mil hectares (dados de 2013), sendo responsável por 99,1% da madeira usada com fins energéticos (lenha e carvão vegetal para suprir demandas de caldeiras, secadores de grãos, indústrias de cerâmicas e fornos de mineradoras).

 

A intenção da publicação é contribuir para um maior embasamento técnico de produtores, empresários, ações de pesquisa/ensino/extensão e, especialmente, para a formulação de políticas públicas de incentivo ao cultivo florestal em Goiás. Segundo o Chefe-geral da Embrapa Florestas, Edson Tadeu Iede, “a compilação de séries históricas dos principais produtos consumidos permitem entender a dinâmica da produção goiana e também a atual distribuição espacial dos plantios. A publicação também aponta aspectos que precisam ser mais detalhados em novas prospecções, como por exemplo informações sobre os plantios de pínus e mogno africano”.

 

“Apesar das condições ambientais favoráveis ao cultivo plantios florestais, essa atividade foi pouco desenvolvida durante anos por causa da distância das principais unidades industriais do setor de base florestal, situadas principalmente nas Regiões Sudeste e Sul”, analisa Cristiane. “No entanto, hoje, a Região Centro-Oeste se tornou um eixo estratégico para indústrias de muitos desses ramos e Goiás possui características potenciais para fazer parte desse circuito”, finaliza a pesquisadora.

 

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