Milho e soja
DATA: 02/03/2016

Goiás puxa a produção brasileira de soja para cima, diz INTL FCStone

Centro-Oeste registra produtividade mais otimista, elevando a produção total brasileira a 98,6 milhões de toneladas no ciclo 2015/16

A consultoria INTL FCStone ajustou a produção brasileira de soja novamente para cima, nesta quarta-feira (02). A consultoria estima produção de 98,6 milhões de toneladas. O incremento foi motivado pela verificação de produtividades melhores do que a expectativa no Centro-Oeste, especialmente nos estados de Goiás e Mato Grosso. “O clima seco do final do ano passado impactou negativamente, mas as perdas devem ser amenizadas pelas chuvas abundantes neste início de 2016”, afirmou a Coordenadora de Inteligência de Mercado da consultoria, Natália Orlovicin, em relatório.

 

Em Goiás, as produtividades ultrapassam 60 sacas por hectare em muitas regiões, o que pode elevar significativamente a média do estado, atingindo produção de mais de 10 milhões de toneladas. Já no Mato Grosso, apesar da grande irregularidade climática, produtores estão sendo surpreendidos positivamente com os rendimentos alcançados. Com isso, a INTL FCStone estima produção maior em relação ao mês passado, ficando em 27,8 milhões de toneladas, ainda assim, um número abaixo do ciclo 2014/2015.

 

Destaca-se, ainda, que a consultoria reduziu a área plantada nos estados do Maranhão, Piauí e Tocantins, uma vez que muitas lavouras migraram para o cultivo do milho neste ciclo, interrompendo a sequência de forte expansão dos últimos anos. “Os preços mais atrativos do cereal desde o final do ano passado e os problemas climáticos na janela da soja motivaram esta troca, já que o estado tem o plantio mais atrasado em relação a outras regiões do país”, lembra a Analista de Mercado, Ana Luiza Lodi.

 

Os três estados da fronteira agrícola têm sido impactados pelos efeitos do El Niño, que trouxe seca e temperaturas elevadas para a soja no período de enchimento do grão, resultando em rendimentos mais baixos do que a expectativa inicial. “Muito calor, pouca umidade no solo e chuva irregular”, resume o Consultor em Gerenciamento de Riscos da INTL FCStone, Étore Baroni, em relação às condições da oleaginosa no campo.

 

Promessa de ‘safrinha’ recorde

No que diz respeito à safra de milho, a INTL FCStone elevou sua estimativa de produção para a safra 2015/2016 para 84,2 milhões de toneladas, com aumentos da produção no verão e, principalmente, no inverno. Para a segunda safra, a consultoria trouxe uma elevação considerável da estimativa de produção, que ficou em 56 milhões de toneladas, o que, se confirmado, configurará um recorde histórico para o milho de inverno.

 

“Os preços elevados no mercado interno, num momento em que se relata dificuldade em encontrar milho disponível, são considerados um incentivo à produção na segunda safra. Com isso, a expectativa aponta para um crescimento de área de 5,1% em relação ao ano anterior, superando 10 milhões de hectares”, explica Ana Luiza.

 

Mesmo assim, destaca-se que as preocupações com o clima continuam presentes. Há atrasos no plantio, em decorrência dos problemas enfrentados no ciclo da soja, o que aumenta ainda mais os riscos climáticos aos quais o cultivo de inverno está sujeito.

 


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