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Fertilizantes: novos produtos e dicas para a adubação do solo

Dicas sobre o pó de rocha, silicato reativo, fertilizantes organominerais e insumos biológicos para a adubação do solo de forma correta

Fertilizantes são essenciais em qualquer lavoura. Para a adubação do solo correta, é fundamental fazer uma boa avaliação de solo, medir a fertilidade e as condições nutricionais para descobrir quais são as necessidades. Quando se fala em adubação do solo, o produtor tem a fórmula NPK na ponta da língua. Mas, o mercado sempre oferece novos produtos para compor o manejo. Justamente por este excesso de ofertas é preciso redobrar a atenção.

 

Revista Farming Brasil. Ano 1, edição 2.
Farming Brasil

É essencial ficar atento aos detalhes da formulação dos fertilizantes para não cair em armadilhas e colocar a safra em risco. “Nos últimos anos, o mercado de fertilizantes foi inundado por centenas de produtos de procedência duvidosa e sem comprovação de eficiência”, diz o agrônomo, doutor em solos e nutrição de plantas e pesquisador da Embrapa Solos, Vinícius de Melo Benites.

 

Pó de rocha funciona?

De acordo com o pesquisador, entre os produtos de procedência desconhecida e que estão se popularizando nos campos brasileiros estão os fertilizantes feitos de pó de rocha. “O grande problema é que estão comercializando produtos feitos com qualquer tipo de rocha e sem avalição que comprove de fato sua eficiência agronômica. A Embrapa não apoia e nem incentiva este uso como está sendo falado”, diz o especialista.

 

Silicato reativo

Outra técnica que também ganhou força no campo nas últimas safras é a adubação do solo feita com fertilizante à base de Silicato Reativo, produzido com resíduos de siderurgias. Embora pareça uma novidade, estudos são realizados sobre o tema desde a década de 1960.

 

Novamente, o produtor deve ter cuidado ao comprar esse tipo de fertilizante. “Esses resíduos são ricos em silício, porém, o que precisa ser observado é qual a sua solubilidade. A areia de praia, por exemplo, tem 98% de silício, porém não é solúvel e sozinha não tem efeito nenhum, assim como alguns produtos vendidos”, explica Benites.

 

O silicato está sendo aplicado pelos produtores como complemento nutricional para as lavouras. Porém, a utilidade dessa aplicação é questionável. Segundo o agrônomo, pesquisas existentes sobre o silício têm como linha de estudo a prevenção de pragas e doenças. “Em algumas culturas como a cana-de-açúcar e o arroz, o silício tem uma função importante, mas não de adubação do solo e, sim, na supressão de doenças. Nós aconselhamos que antes de utilizar qualquer produto desconhecido, que o produtor busque informações e estudos sobre ele”, diz Benites.

 

Organomineral é a bola da vez

Na contramão dos muitos produtos oferecidos sem embasamento técnico ou científico, há novas tecnologias que, de fato, estão se mostrando como alternativas eficientes e sustentáveis para a adubação do solo. Exemplo disso é o fertilizante organomineral, resultado do processo NPK+C, uma tecnologia patenteada pela Calderon Consulting, de Lauro de Freitas (BA), com o apoio da Embrapa Solos, que formulou o produto e coordenou os testes no campo.

 

Segundo João Calderon, sócio-diretor da empresa, o diferencial do fertilizante é que ele utiliza como matéria-prima os dejetos de aves, a chamada cama de frango. O fertilizante será produzido a partir de junho deste ano, com a inauguração da fábrica OrganoGran, em Brasília (DF). “Temos orgulho de ter desenvolvido essa tecnologia, um fertilizante bom para o solo, para a planta e para o planeta”, diz Calderon.

 

Como o organomineral funciona?

Hoje, o mercado oferece ao produtor diferentes categorias de adubos. Os formulados a partir da decomposição de matérias-primas orgânicas, como o esterco animal, há também os fertilizantes minerais em formas simples, como o superfosfato, ou ainda as composições químicas já conhecidas, em forma de pó, líquidos e granulados.

 

A proposta do fertilizante organomineral é oferecer uma base orgânica aliada aos minerais. No caso da OrganoGran, os produtos fabricados terão como base somente a cama de frangos, mas já há estudos avançados para produzir o fertilizante também a partir de dejetos de suínos e até mesmo de resíduos domésticos. “Com essa tecnologia tiramos da natureza muitos resíduos orgânicos de origem animal, misturamos aos minerais e levamos ao solo um fertilizante com alta concentração de carbono e minerais”, afirma Calderon.

 

Por ter as mesmas características do fertilizante mineral, o produto não tem restrição de uso em nenhuma cultura. Além disso, a forma física granulada facilita o seu manuseio em plantadeiras. De acordo com Calderon, com a concentração maior de nutrientes disponíveis para as plantas, o fertilizante além de ser economicamente viável é ecologicamente correto, pois não necessita da etapa da compostagem.

 

Isso ocorre porque a cama de frango é beneficiada no próprio equipamento que granula, ou seja, é moída e triturada. Este processo destrói os microrganismos ou patógenos isentando a necessidade de compostagem. “O processo NPK+C é a tecnologia verde, ou seja, gera mínimas emissões de gases poluentes, como dióxido de carbono”, diz Calderon.

 

Insumo biológico

O uso intensivo da terra por sucessivas safras provoca a degradação do solo. De olho nesse problema, a aposta da empresa Microbiol Biotecnologia, de Limeira (SP), foi o desenvolvimento de um composto orgânico direcionado à adubação biológica do solo, chamado de Microgeo.

 

O produto biológico não é uma solução única. Constituído de microrganismos, nutrientes e fitormônios, ele foi idealizado para complementar os atuais manejos químico e físico. “O produto visa reconstituir a vida microbiológica do solo, garantindo benefícios multifuncionais à produção, otimizando os outros insumos agrícolas”, diz a engenheira agrônoma e analista de pesquisa e desenvolvimento da Microbiol, Maria Stefânia Cruanhes D´Andréa-Kühl.

 

Segundo ela, o Microgeo é um produto balanceado que alimenta os microrganismos do conteúdo ruminal bovino em Compostagem Líquida Contínua (CLC), produzindo o Adubo Biológico através de uma Biofábrica própria na fazenda do agricultor. O equipamento é formado por um tanque, que é instalado em área ensolarada, próximo ao ponto de abastecimento de água, mantendo-o sempre descoberto. A Biofábrica vai produzir de forma contínua o Adubo Biológico na fazenda.

 

De acordo com a analista, o Microgeo pode ser aplicado em qualquer cultura, pastagem ou áreas de reflorestamento. O volume da dose recomendada para cultivos perenes é de 300 litros por hectare. No caso dos cultivos anuais, a dose é de 150 litros por hectare. “O produtor só tem a ganhar com a inserção da adubação biológica, pois ela aumenta a capacidade produtiva das plantas, garantido bons resultados na colheita”, afirma a engenheira agrônoma.

 

Fertilizantes foliares

Mesmo que o produtor realize uma boa adubação do solo, eventualmente em determinado momento a lavoura pode apresentar deficiências. Com isso, é recomendável repor os macros e micronutrientes por meio da adubação foliar.

 

Há inúmeras opções de fertilizantes foliares disponíveis no mercado. Entre os lançamentos mais recentes, vale citar o Hulk, desenvolvido pela Kimberlit Agrociências, de Olímpia (SP). A composição do Hulk oferece nutrientes e substâncias orgânicas capazes de induzir os genes de resistência em plantas.

 

Segundo o engenheiro agrônomo e pesquisador Juscelio Ramos de Souza, o Hulk atua nutricionalmente e fisiologicamente contra os estresses bióticos (pragas, doenças, nematoides e abióticos) e altas temperaturas (estresse hídrico por falta de água e radiação). “O grande diferencial do Hulk é que ele age diretamente em sítios de ação fisiológicos dos vegetais, potencializando a produção de numerosas proteínas extra e intracelulares, garantindo que a planta se mantenha em equilíbrio”, diz Souza.

 

Trabalhos experimentais de campo demonstraram incremento de produtividade nessas condições. Em Passo Fundo (RS), por exemplo, em uma das fazendas do grupo Floss, a utilização do Hulk associado a quatro aplicações de fungicidas para cultura da soja na safra 2015/2016 gerou produtividade de 72,9 sacas por hectare, enquanto nas áreas que não utilizaram o fertilizante foliar, a produtividade foi de 67 sacas por hectare. “Os resultados compravam a eficácia do produto na cultura da soja. Porém, ele também apresenta bom desempenho nas lavouras de milho, café, feijão, citrus e algodão”, diz Souza.

 

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