Ferrugem asiática
DATA: 16/09/2016

Resistência da ferrugem da soja deve ser um problema na safra 2016/2017

O custo de aplicação de fungicidas pode chegar a dez sacas de soja por hectare e tornar o cultivo economicamente inviável Naiara Araújo (naiara@sfarming.com.br)

Os sojicultores brasileiros estão planejando a safra de soja 2016/2017. Com o fim do vazio sanitário em algumas regiões, muitos agricultores estão de olho na previsão do tempo e aguardam o momento mais favorável para iniciar o plantio. Uma das questões mais importantes do planejamento de safra é o controle da ferrugem asiática, uma das principais doenças que prejudicam a soja. O produtor está acostumado a manejar essa doença. Porém, na safra 2016/2017, o aumento da resistência da ferrugem asiática aos fungicidas será um grande problema para os agricultores, alerta Mauricio Meyer, pesquisador da Embrapa na área de ferrugem.

 

O controle da doença está mais caro

Segundo o pesquisador, há 15 anos, a média de aplicações de fungicidas era de uma ou duas. Agora, esse número subiu para três e algumas áreas já precisam de cinco aplicações por safra. “O custo da aplicação sai, em média, por duas sacas de soja por hectare. Se o produtor fizer cinco aplicações, ele perde 10 sacas de soja por hectare”, afirma. Em uma lavoura com produtividade em torno de 45 sacas de soja por hectare, esse aumento das despesas com fungicidas compromete o lucro do agricultor e já torna o cultivo de soja economicamente inviável, segundo o pesquisador da Embrapa.

 

O aumento da incidência da ferrugem, causado pelo mecanismo de resistência desenvolvido pelo fungo, é explicado justamente pelo uso excessivo de fungicidas nas últimas safras. “Ao longo do tempo, o fungo vai desenvolvendo o mecanismo de sobrevivência, que é a resistência”, diz Meyer. Segundo o pesquisador, isso é um enorme problema para o produtor, que investe na compra de defensivos e não tem a proteção esperada.

 

Quando começar o tratamento?

Quanto mais cedo a doença for diagnosticada na lavoura, mais cedo começa a aplicação e aumenta a quantidade de fungicida aplicado. “Se o produtor sabe que a lavoura dele começou cedo e a região dele está livre de ferrugem, ele pode ficar relativamente tranquilo”, explica Meyer. Mas, quando o produtor souber que a região tem foco de ferrugem, é necessário começar a aplicar antes mesmo de identificar a ferrugem na propriedade. Segundo o especialista, a contaminação de uma lavoura para outra é muita rápida. Para ajudar no controle, o Consórcio Antiferrugem faz o monitoramento das lavouras brasileiras.

 

Como não existe um calendário definido para o início do tratamento, o produtor deve ficar muito atento. Meyer explica que a ferrugem asiática começa a ser mais agressiva depois que a planta chega à floração. “Se a pressão da doença na região for alta e o plantio mais tardio, a doença pode chegar antes da floração e nesse momento tem que começar a fazer as aplicações”, diz o pesquisador.

 

Ferrugem é sinônimo de prejuízo

Dados da Embrapa Soja e do Consórcio mostram que as perdas causadas pela ferrugem asiática no Brasil são estimadas em US$ 2 bilhões por safra. O primeiro caso da doença foi registrado em 2001 e, desde então, ela é um dos maiores problemas nas lavouras de soja. A ferrugem tem um potencial de dano de 80% e pesquisas recentes mostram que a eficiência do controle com fungicidas está entre 40% e 76%. A ferrugem é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizie e age através da penetração na folha da soja, onde ela coloniza e produz esporos, que são como as sementes do fungo. A doença se espalha facilmente e pode ser transportada pelo vento e pela chuva.

 

O clima que favorece a ferrugem

Os casos de ferrugem asiática ocorrem em todas as regiões produtoras de soja no Brasil. Porém, o clima de alguns lugares pode ser mais favorável para o desenvolvimento da doença. Meyer diz que as epidemias acontecem em locais com temperaturas abaixo de 25 graus e chuvas frequentes. Segundo ele, quanto mais tempo a planta ficar exposta à condição de temperaturas amenas, alta umidade e houver a condição de molhamento foliar, maior será a incidência de ferrugem no campo.

 

Três pilares para combater a ferrugem

Para evitar que a doença se torne um enorme pesadelo na safra 2016/2017, o pesquisador da Embrapa Soja recomenda três passos fundamentais. A primeira recomendação é realizar o vazio sanitário da forma correta. A segunda recomendação é escolher cultivares de qualidade e resistentes à doença. O terceiro pilar é realizar o controle químico com fungicidas eficazes.

 

A importância do vazio sanitário

Para o pesquisador Mauricio Meyer, a medida mais importante para que a safra comece bem é a realização de um vazio sanitário bem feito, já que o fungo só se multiplica em plantas vivas. “O objetivo do vazio sanitário é começar a safra sem a presença do fungo para que a doença chegue o mais tarde possível”, explica Meyer. “Para que quando a ferrugem chegue dê tempo de a planta se desenvolver, produzir grãos, não perder tanto com a desfolha e o produtor fazer menos aplicações de defensivos.”

 

Qual o impacto da ferrugem no custo de produção?

Nos próximos cinco anos, um projeto de pesquisa da Embrapa em parceria com a multinacional alemã Bayer vai se dedicar a estudar a resistência dos fungos causadores de doenças da soja. O objetivo é oferecer uma garantia de proteção ao produtor nas futuras safras. “Se nós deixarmos a situação como está, em poucas safras não haverá mais fungicidas para o controle da ferrugem”, afirma Meyer

 

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