Agronegócio precisa de agrônomos preparados para serem líderes no campo

Mercado precisa de profissionais das ciências agrárias com habilidades para gerir negócios e comandar equipes

O agronegócio está prosperando e foi o único setor da economia brasileira que registrou crescimento no ano passado. Porém, para que as fazendas, empresas e indústrias do campo continuem crescendo, é necessário que elas tenham no comando profissionais com visão empreendedora, capazes de gerir negócios. E isso ainda está em falta.

 

Professores e profissionais do setor alegam que os cursos de Agronomia, Zootecnia e áreas correlatas formam profissionais que dominam o conteúdo técnico, mas há deficiência na capacidade de solucionar problemas e ter um perfil de gestor. De acordo com o professor Fernando Peres, da Esalq/USP, a ênfase na formação de profissionais de Ciências Agrárias para trabalharem na extensão pública ou privada fez com que fosse deixada de lado a formação de empresários rurais. “Praticamente não oferecemos preparação nenhuma para o indivíduo se tornar empresário. Acho que precisamos incorporar essa dimensão na formação do profissional de ciências agrárias e o agronegócio brasileiro precisa desesperadamente de profissionais com esta capacidade.”

 

De acordo com Juan Lebron, superintendente de marketing da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ) e consultor administrativo das Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu), as faculdades não têm formado profissionais que atendem as exigências do mercado atual. “Nós vamos atacar o problema na raiz e vamos formar esses profissionais juntos”, diz Lebron.

 

Mudança curricular

A Fazu (Faculdades Associadas de Uberaba) é uma das primeiras que está repensando o seu sistema de ensino e pretende mudar a sua grade curricular, com o objetivo de formar líderes e empresários preparados para atuar nas agroindústrias e no campo.

 

Para que a mudança seja possível, a Fazu terá o apoio da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ) e ainda prevê parcerias com empresas privadas para ouvir o que o mercado deseja, o que pode incluir a criação de disciplinas relacionadas à gestão e liderança. A Fazu também vai consultar profissionais das áreas de educação e ciências agrárias das principais entidades brasileiras, como Embrapa, Senar e Esalq/USP.

 

Estudantes vão passar mais tempo no campo

Uma das ações previstas pela Fazu é explorar cada vez mais a Fazenda Escola, área de 200 hectares anexa ao campus da Fazu, que abriga lavouras, pastagens, bovinos, caprinos e outras espécies de animais. Segundo Alexandre Bizinoto, supervisor acadêmico da Fazu, com maior vivência no campo, os alunos terão a oportunidade de entrar em contato com diferentes setores agropecuários ainda dentro da faculdade.

 

Outra ação é a junção de outras disciplinas como biologia, matemática, ecologia, química e introdução à zootecnia com as atividades práticas. Segundo a Fazu, essas matérias passarão a usar dados coletados pelos alunos para relacionar o conteúdo teórico com as aplicações do dia a dia. “O projeto integrador, que leva os alunos com mais frequência para a fazenda, também deixa o estudante mais motivado”, afirma Bizinoto. Segundo informações da instituição, o plano é se reorganizar até 2020.

 

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