Fazenda paulistana investe na criação de insetos, como grilos e baratas

Insetos se reproduzem rapidamente, têm altas taxas de crescimento e de conversão alimentar

Fugindo do que se espera de uma propriedade com foco em criação animal, grilos, larvas e baratas são os bichos criados na fazenda da empresa Safari, localizada em Piracicaba, no interior de São Paulo. Esses insetos são vendidos para alimentar outras espécies, como alguns animais exóticos de estimação, entre eles iguanas, lagartos, ratos, macacos, peixes e pássaros. No Brasil, a produção de insetos é voltada somente à alimentação animal, já que ainda não existe legislação para a produção e comercialização para alimentação humana.

 

O manejo dos insetos

A criação de insetos exige um manejo cuidadoso, como alimentação adequada e um ambiente limpo. Segundo Eduardo Matos, proprietário da Safari, os insetos têm uma alimentação à base de farelo de trigo, milho, cevada e vegetais. “Os excrementos são retirados semanalmente de um reservatório no fundo de cada baia, onde caem por gravidade, mantendo o ambiente sempre limpo. Os insetos criados em cativeiro ficam guardados em ambiente controlado, a fim de evitar contaminação ou contato com espécimes de fora”, diz Matos. A criação possui Título de Estabelecimento Relacionado, com aprovação do Ministério da Agricultura e responsável por assegurar a qualidade de produtos de origem animal comestíveis e não comestíveis destinados ao mercado interno e externo.

 

Em 2016, a Safari investiu em um novo setor e passou a comercializar  baratas, grilos e larvas vivos em pet shops. Os produtos vêm em pequenas embalagens e têm validade de até 30 dias. “Os insetos têm alto teor de proteína, ácidos graxos e minerais de alta digestibilidade. Além disso, fornecer alimento vivo aos animais estimula o contato com a natureza e diverte o bicho e o dono”, afirma Matos Os objetivos desse nicho de mercado é enriquecer a alimentação dos animais de estimação, que poderão ter o instinto de caça estimulado, além de uma dieta saudável.

 

 

A participação dos insetos na segurança alimentar

A FAO, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, publicou em 2015 um documento sobre “A Contribuição dos Insetos para a Segurança Alimentar, Subsistência e Meio Ambiente”, no qual informa que o aumento da população, urbanização e o crescimento da classe média têm elevado a demanda global por alimentos, especialmente as fontes proteicas animais. Segundo o estudo, por volta de 2030 teremos que alimentar nove bilhões de habitantes, juntamente com outros bilhões de animais criados anualmente para fins alimentícios, recreativos ou como estimação.

 

Segundo a Safari, uma das maneiras existentes para se resolver o problema de segurança alimentar seria a criação de insetos, pois eles se reproduzem rapidamente, têm altas taxas de crescimento e de conversão alimentar, além do mínimo impacto ambiental causado em todo seu ciclo de vida. São nutritivos, com alto teor de proteína, ácidos graxos e minerais. A cada 100 gramas de alimento cru, a carne bovina apresenta 20,2 gramas de proteína, ao passo que 100 gramas de barata cinérea oferecem 60 gramas e grilo preto 48 gramas. O estudo considera insetos criados sob supervisão e não aconselha a ingestão de insetos retirados diretamente da natureza, uma vez que estes podem estar sujeitos a contaminantes externos.

 

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