DATA: 23/11/2015

Fazenda paulista investe na produção de Poll Dorset

O negócio familiar, que produz 20 toneladas de carne de cordeiro por ano, prevê dobrar a produção até 2018 Naiara Araújo

Há três anos, o administrador José Paulo Gusmão decidiu ingressar no mercado de ovinos, com o propósito de produzir um animal artesanal e precoce, com carne de qualidade superior. Como se não bastasse ingressar num nicho de mercado que é a produção de cordeiros, após muita pesquisa, Gusmão se lançou na tarefa de criar Poll Dorset, uma linhagem Premium com origem na Nova Zelândia e Austrália, ainda pouco conhecida no Sudeste brasileiro.

 

De acordo com dados divulgados neste ano pelo IBGE, o rebanho brasileiro de ovinos totalizou 17,6 milhões de cabeças em 2014. O de bovinos, por exemplo, é 12 vezes maior e soma 212 milhões de animais. Para comparação, o rebanho nacional de suínos tem 37,9 milhões de animais.

 

Atualmente, Gusmão conta com um rebanho comercial de mil animais na Fazenda Santa Ignácia, com 1.000 hectares em Cravinhos, no interior de São Paulo. Desse total, 50 hectares são exclusivos para a ovinocultura. Na fazenda, ele também planta cana-de-açúcar e, no passado, já usou a propriedade para produção de café e criação de bovinos.

 

Todos os animais são criados a pasto em uma produção que o proprietário considera artesanal. “Os cordeiros são padronizados com idade e peso de abate similares, propiciando cortes padronizados”, diz. Os ovinos da Fazenda Santa Ignácia são precoces e atingem o peso ideal para o abate entre 38 e 40 quilos, antes dos 100 dias. “Entre o quarto e o quinto mês, eles começam a depositar gordura e isso não é agradável para o sabor, por isso abatemos antes da puberdade”, explica. Segundo o criador, o corte do animal vale, em média, R$ 38 por quilo e o rendimento de carcaça é de 46%. Todos são abatidos no frigorífico CowPig, em Boituva, no interior de São Paulo. O custo para abater, desossar e embalar é de R$ 77 por cabeça. A comercialização fica por conta de Gusmão, que repassa o produto para restaurantes e casas de carnes.

 

Diferente de raças mais populares como Santa Inês e Dorper, que têm pelos, o Poll Dorset tem lã. “O animal lanado tem outro sabor, a carne dele é muito macia, tenra e adocicada”, diz Gusmão. Outro diferencial da raça está relacionado à habilidade materna. Gusmão diz que os índices de partos gemelares da Poll Dorset chegam a 180% e elas produzem muito leite. “As mães produzem cordeiros pesados, que nascem com quase 4,5 quilos, e todos são partos naturais, não precisamos interferir”, diz ele.

 

2810_ovelhas2

Gusmão com uma ovelha Poll Dorset

Além disso, as fêmeas da raça Poll Dorset têm cio o ano inteiro e podem parir até três vezes em dois anos, conta o criador. Mas essa não é a estratégia adotada na propriedade, que prefere determinar o período para a reprodução. “Nós decidimos fazer a estação de monta por causa do regime de chuvas e disponibilidade de forragens na nossa região”, diz. “A ovelha necessita estar bem nutrida para ovular e a disponibilidade de pastagens de boa qualidade coincide com o final do verão, que é o período do ano em que as ovelhas têm maior ovulação.”

 

Antes de dedicar-se à ovinocultura, Gusmão já trabalhou com criação e confinamento de bovinos. Ao comparar os dois nichos da pecuária, ele afirma que a produção de ovinos é mais rentável. “É possível conseguir mais arrobas por hectare com ovinos, mas existe uma série de cuidados que não se tem com os bovinos”, explica. Entre esses cuidados está a tosquia, que é feita duas vezes por ano e não rende lucros à Gusmão, que troca a lã pelo serviço do tosquiador. O produtor também diz que há um déficit na disponibilidade de mão de obra qualificada para o manejo adequado dos ovinos, o que não acontece na bovinocultura. “Esse animal é delicado, exige muita dedicação, a gente brinca que tem que dar bom dia e boa noite”, conta o ovinocultor.

 

A produção atual da fazenda é de 20 toneladas de carne por ano, mas o objetivo é dobrar esse volume até 2018, alcançando a produção máxima com um rebanho de 2.000 animais. Desde que começou com a ovinocultura até atingir a sua meta de produção, Gusmão prevê que o investimento total com o negócio será de aproximadamente R$ 1 milhão.

 

Para cuidar do rebanho, a Fazenda Santa Ignácia conta com três funcionários e dois cachorros, um ajuda na lida e o outro faz a segurança das ovelhas. A fazenda também encara a genética ovina como negócio, com a comercialização de reprodutores e matrizes da raça, que podem variar de R$ 1,5 mil a R$ 4 mil, dependendo da linhagem e idade.

 


Comente essa notícia.

Faça seu cadastro ou login gratuito para enviar comentários.