Falta de recursos para seguro agrícola preocupa gaúchos

Já que o Ministério da Agricultura não terá dinheiro o suficiente para pagar a subvenção, Farsul busca alternativas para obter recursos

A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) informou que os produtores gaúchos estão preocupados com o seguro rural, após a notícia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) de que não haverá mais recursos para a subvenção ao prêmio do seguro agrícola deste ano.

 

O valor disponibilizado até agora é insuficiente para a cobertura das lavouras, sendo necessário mais R$ 404 milhões para atingir o mesmo número de beneficiários do ano passado. Segundo informações da Farsul, só o Rio Grande do Sul é destino de 25% do total disponibilizado pela União e tem a soja, que está no início do período de plantio, como o produto que mais absorve os valores, com 1/3 do disponibilizado.

 

O problema iniciou em 2014, com o anúncio do Mapa de R$ 693 milhões para o seguro agrícola, valor esse não disponível integralmente no caixa do Ministério. O ano encerrou com o Governo Federal precisando repassar R$ 245 milhões para as seguradoras, o que o obrigou a retirar essa quantia do orçamento de 2015. Assim, dos R$ 668 milhões anunciados para este período sobraram R$ 363 milhões que já foram tomados.

 

Diante desse quadro, a Farsul iniciou uma série de ações para buscar uma solução para o problema. O primeiro passo foi uma reunião, na sede da Farsul, com o secretário de Política Agrícola do Mapa, André Nassar, na segunda-feira (16/11) para tratar do assunto.

 

Conforme o presidente da Comissão de Crédito Rural da Farsul, Elmar Konrad, a alternativa seria buscar um suplemento orçamentário, o que não é previsto na lei atual e depende de medidas políticas com alterações na legislação e medidas provisórias.

 

No caso da soja, houve uma gradativa redução dos custos do seguro, de 15% para 8%, e a ampliação de cobertura que passou de uma média de 17 sacos por hectare para 30, podendo chegar a 35 sacos. “Agora que o seguro está ficando interessante, que o produtor adaptou a cultura, não vir a subvenção interrompe a projeção de crescimento e poderá, inclusive, prejudicar a sequência do seguro e até comprometer toda a sua política”, afirma.

 

Para o economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz, que esteve na terça-feira (17/11) no Ministério da Fazenda tratando do assunto, a situação cria um paradoxo para o produtor, principalmente em um período de forte instabilidade climática. “Em um ano de El Niño é uma temeridade plantar sem seguro. Por outro lado, o produtor assumi-lo sozinho, considerando os atuais custos de produção, compromete toda a sua competitividade”, diz.

 

Os debates continuam ao longo da semana, na quinta-feira, acontece uma reunião da Frente Parlamentar da Agropecuária no Congresso Nacional, com participação da Farsul, e na sexta-feira haverá uma análise do Plano Plurianual do Seguro para o exercício 2016/2017 pelas Federações na sede da CNA.

 

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