Porto de Paranaguá.
DATA: 18/02/2016

Exportadores devem acelerar embarque de milho para evitar filas nos portos

Tempo chuvoso prejudica embarques, mas não deve impedir um recorde nas exportações de grãos em fevereiro Darlene Santiago

O cultivo de soja e milho brasileiro cresce a cada ano. Porém, a logística não acompanhou o avanço da produção e o escoamento de grãos ainda é considerado deficitário. Em safras anteriores, o Brasil se deparou com filas de caminhões e de navios nos Portos e essa história já se repete em 2016.

 

“A fila é um problema recorrente, principalmente nesse período do ano. Mas, acredito que a situação é mais severa agora porque a gente está escoando muito milho”, diz Aedson Pereira, analista da consultoria Informa Economics FNP, de São Paulo. Segundo o analista, com a valorização do dólar perante o real, o milho se tornou um produto mais competitivo no Exterior e as exportações ainda estão aquecidas.

 

“O comum é finalizar as exportações de milho em janeiro ou no máximo na primeira quinzena de fevereiro. Mas, neste ano, podemos fechar o mês de fevereiro com um recorde de até 4 milhões de toneladas exportadas”, afirma Pereira. “Esse fluxo contínuo de vendas do milho pode coincidir com a janela de escoamento da soja e causar filas nos portos. As tradings estão acelerando as exportações de milho para que isso não aconteça.”

 

O problema das filas de navios

De acordo com Pereira, o tempo aceitável de espera seria de 20 a 30 dias. Porém, alguns navios aguardam até 60 dias para atracar. “O fato de ter uma fila de espera de até 60 dias pode fazer com que o comprador opte pelo grão de outro fornecedor, como a Argentina e os Estados Unidos”, diz. “Em 2013, a gente teve um apagão logístico, com filas enormes e vimos muitos contratos serem cancelados. Filas e atrasos pontuais sempre são esperados, mas não teremos o mesmo cenário de 2013 neste ano.”

 

De acordo com dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais, havia 113 navios graneleiros ao largo dos portos brasileiros no dia 15 de fevereiro. Desse total, havia 26 navios aguardando atracação no maior porto exportador de grãos, o Porto de Santos, no Estado de São Paulo.

 

No entanto, a maior fila de navios de soja e milho foi registrada no Porto de Paranaguá, no Paraná, o segundo maior porto para a movimentação desses grãos, com 50 navios à espera. A fila é causada principalmente pelo tempo chuvoso na região, que provocou atraso nos embarques.

 

Em nota enviada à Successful Farming Brasil, o Porto de Paranaguá informou que a fila real no porto é de 18 navios no line-up. Os demais navios ainda não possuem carga contratada em terminal para embarcar, mas já estão aguardando no porto porque terão carga em breve.

 

“Se considerarmos os navios que estão ao largo como fila, realmente temos mais navios esperando neste ano do que no ano passado, no entanto não é uma fila real. É uma fila de navios que aguarda carga que ainda não está contratada e, maior parte das vezes, sequer foi colhida no campo”, disse o Porto em resposta à Successful Farming Brasil.

 

Os embarques não acontecem nos dias de chuva. O Porto de Paranaguá informou que, no ano passado, a região registrou um volume de chuvas 50% maior do que a média anual e, mesmo assim, o porto conseguiu bater o recorde de exportação de grãos.

 

Nos primeiros 40 dias de 2016, choveram cinco dias a menos do que no mesmo período do ano passado e o porto já conseguiu registrar o maior volume de escoamento de grãos da sua história para um mês de janeiro, com 1,34 milhão de toneladas embarcadas.

 

Os terminais de Paranaguá têm 5,8 milhões de toneladas de grãos já programados para embarque nos próximos três meses, sendo 4,4 milhões de toneladas de soja, 700 mil toneladas de farelo de soja e 700 mil toneladas de milho.

 

O avanço logístico no Norte

O agronegócio brasileiro está buscando novas alternativas para o escoamento de grãos. Uma delas é a rota que leva a produção da região Norte do Estado de Mato Grosso, da Bahia, Maranhão, Piauí e do Tocantins para Portos da região Norte do Brasil. Nessa região, está localizado o Terminal de Grãos (Tegram) do Porto de Itaqui (no Estado do Maranhão), que começou a operar em março de 2015 e foi responsável pelas exportações de 3,4 milhões de toneladas de soja, milho e farelo no ano passado.

 

No dia 15 de outubro, a fila no Porto de Itaqui era de apenas quatro navios. “O Tegram é uma das grandes apostas para conseguir desafogar o defasado sistema logístico do país, ainda muito concentrado no transporte de grãos por caminhões até os portos de Santos (SP), Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS)”, diz Luiz Claudio Santos, diretor de logística da CGG Trading, responsável pelo terminal.

 

Segundo Santos, o porto de Itaqui tem papel estratégico para o setor, vai aumentar sua capacidade de operação para atender o mercado de soja e milho e atenuar as filas de navios nas regiões Sudeste e Sul. “Nesse momento, essas filas são naturais. Vamos ver um line-up cheio porque a safra de milho foi grande, mas logo veremos uma acomodação. Temos de terminar as exportações de milho para embarcar soja.”

 


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