DATA: 19/10/2015

Estudo avalia necessidade de água da cultura do pinhão-manso

Planta é utilizada na produção de biodiesel e seu óleo pode ter propriedades medicinais e cosméticas

O pinhão-manso (Jatropha curcas L.) vem se destacando como matéria-prima para a produção de biodiesel. No entanto, as propriedades dessa planta e demais utilizações ainda não são muito conhecidas. Para entender melhor as necessidades de água e de aplicação de fertilizantes dessa planta, o Professor do Departamento de Engenharia de Biossistemas da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ) Marcos Vinícius Folegatti está desenvolvendo um projeto de pesquisa na Fazenda Areão (Piracicaba-SP) sobre o pinhão-manso, com a ajuda de quatro estudantes de mestrado e doutorado da instituição.

 

Nunca foi realizado um trabalho tão detalhado sobre o conhecimento das necessidades hídricas do pinhão-manso, segundo o professor. O estudo também avalia questões como a utilização da biomassa residual, transpiração, interferência do nitrogênio na produtividade e qualidade do óleo. “Essa planta possui uma capacidade de resistência ao estresse hídrico muito interessante, além de um potencial do uso de seu óleo”, diz Folegatti. “Na Ásia, já existem mais de 200.000 hectares cultivados para produção de biodiesel.” Ele explicou ainda que se trata de uma planta nativa brasileira e que há a expectativa de que o seu óleo também possa ter propriedades para a produção de cosméticos e para o uso medicinal. “É muito importante estudar plantas nativas brasileiras, que no futuro poderão fazer parte do elenco de culturas produzidas em larga escala na agricultura do nosso país”, diz.

 

Para medir a demanda de água da planta e a evaporação da superfície do solo (evapotranspiração – ET), o grupo utiliza seis lisímetros nas plantações da Fazenda Areão, sendo dois para cada uma das três áreas com diferentes sistemas de irrigação: gotejamento, pivô central e não irrigado. Cada lisímetro possui três metros de diâmetro e contém 30 toneladas de terra, com o mesmo solo da área, onde é possível medir a quantidade de água utilizada pela planta em cada método de irrigação.

 

O projeto está sendo desenvolvido desde 2011 e deve prosseguir por cerca de 10 anos. Os resultados preliminares sobre o consumo hídrico, desde a implantação até o quarto ano de cultivo, revelam que plantas irrigadas por pivô central apresentam maiores taxas evapotranspirométricas em relação às plantas irrigadas por gotejamento e sem irrigação. As médias de ET foram 3,4, 2,9, e 2,5 mm dia-1 nas plantas irrigadas por pivô central, gotejamento e sem irrigação, respectivamente. Isso representa cerca de 40 litros de consumo de água por dia por planta. Vale destacar o elevado consumo nos períodos mais quente do ano, em que as taxas de ET foram próximos 8 mm dia-1 (100 L por planta).

 

Seguindo a mesma linha de pesquisa do consumo hídrico em plantas produtoras de óleo, o grupo de pesquisa planeja iniciar um estudo com a cultura da palma de óleo (Elaeis guineensis Jacq.). Esta planta se destaca por sua elevada produtividade de óleo, sendo o mais consumido no mundo, à frente do óleo de soja. Entretanto, em face à distribuição irregular das precipitações em algumas regiões brasileiras, limita-se o cultivo da palma apenas na região Norte.

Com informações da ESALQ.


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