Milho e soja
DATA: 26/02/2016

Estados Unidos terão os mais baixos preços de grãos da última década

Safras abundantes em sequência incharam os estoques dos EUA e pressionam os preços nas bolsas de valores Chuck Abbott

Os produtores norte-americanos cultivarão a segunda maior safra de milho e a terceira maior safra de soja da história, e obterão os preços mais baixos em uma década quando forem comercializar suas safras de milho, soja e trigo, conforme as projeções do Departamento de Agricultura no Outlook Forum anual.

 

Os preços de mercado das três principais culturas agrícolas nos EUA baixaram drasticamente, desde que atingiram um pico durante a seca de 2012. Safras abundantes em sequência incharam os estoques dos EUA. “Os retornos mais baixos das culturas agrícolas tirarão algumas áreas da produção”, disse o economista chefe do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), Robert Johansson.

 

Em um relatório atualizado, o USDA projetou plantios de 90 milhões de acres de milho, 82,5 milhões de acres de soja e 51 milhões de acres de trigo. Em comparação com 2015, a área de plantio de milho aumentaria em 2 milhões de acres, a de soja permaneceria igual e a do trigo cairia em 3,6 milhões de acres.

 

Essas projeções se traduziriam em 13,8 a 13,9 bilhões de bushels de milho, a segunda maior safra da história, 3,8 bilhões de bushels de soja, a terceira maior da história, e quase 2 bilhões de bushels de trigo, com base nas produtividades e taxas de abandono projetadas pelo USDA.  O USDA diz que a oferta de milho e de soja aumentará a valores recordes após a colheita de outono.

 

Johansson disse que os preços médios da estação cairiam, devido à forte competição estrangeira e ao forte dólar. A projeção era de que o milho conseguiria US$ 3,45 por bushel, a soja US$ 8,50 por bushel e o trigo US$ 4,20 por bushel. Seria o ponto mais baixo para cada um desses valores desde 2006/2007, o início do boom das commodities que atingiu um pico em 2013.

 

O plantio das oito principais culturas agrícolas dos EUA — milho, trigo, soja, algodão, arroz, sorgo, cevada e aveia — está projetado em 249,1 milhões de acres, uma queda de 2,5 milhões de acres em comparação a 2015.  “Estima-se que a área de sorgo, em especial, cairá, diminuindo 14 por cento em comparação ao ano passado,” diz o USDA. Os produtores plantaram 8,5 milhões de acres de sorgo no ano passado para atender à demanda da China, atualmente em queda.

 

O USDA projetou um plantio de algodão de 9,4 milhões de acres, uma alta de quase 10% em comparação a 2015, “como resultado do retorno, em 2016, às condições de plantio mais normais”. O preço médio da estação, projetado em US$ 0,58 por libra, seria o mais baixo em sete anos, mas ofereceria melhores retornos para os agricultores do que o milho, a soja e o sorgo. A pesquisa do Comitê Nacional de Algodão indica 9,1 milhões de acres, já que os agricultores enfrentam um terceiro ano de preços de mercado baixos e custos de produção altos.

 

* Matéria publicada originalmente no portal Agriculture.com, com tradução de Andrew Davis.

* Confira o conteúdo completo sobre as projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, em inglês, no link.

 


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