Entenda a decisão do governo argentino de reduzir tarifas para exportações

Altos estoques da Argentina aumentarão a competição no mercado internacional, porém, no longo prazo, as medidas serão positivas para as relações comerciais

Os planos do novo presidente da Argentina, Mauricio Macri, com foco na reestruturação de sua economia e ao reestabelecimento de relações exteriores que andavam enfraquecidas, incluem eliminar totalmente as tarifas de exportação de carne bovina, trigo e milho, além da redução do percentual cobrado sobre a venda de soja dos atuais 35% para 30%.

 

Segundo informações da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), as medidas podem afetar os preços internacionais desses produtos no curto prazo. No entanto, em longo prazo, as ações trarão bons frutos para as relações bilaterais e para as exportações brasileiras.

 

Atualmente, a Argentina tem US$ 11,4 bilhões de dólares em estoque de soja, milho e trigo. “Em um cenário de preços baixos, a retirada dos impostos incentivará a venda dos estoques e o aumento da produção argentina, consequentemente haverá maior oferta, o que pode deixar os produtos ainda mais baratos. A princípio, esse impacto será negativo para o exportador brasileiro”, diz Alinne Oliveira, responsável da Superintendência de Relações Internacionais da CNA.

 

No entanto, comenta Alinne Oliveira, depois do impacto inicial, as medidas adotadas por Macri serão positivas para o Brasil e o Mercosul. “As políticas comerciais terão um melhor alinhamento e novos acordos comerciais poderão ser concluídos, abrindo outros mercados para o Brasil”, afirma.

 

Outro aspecto positivo, de acordo com a CNA, é o fato de Brasil e Argentina poderem se unir para conquistar grandes mercados que exigem escala de exportação como China, Rússia e Norte da África. “Tudo isso pode ocorrer se o novo presidente conseguir cumprir suas promessas eleitorais, uma vez que o congresso argentino é da era Kirchner”, diz Alinne Oliveira.

 

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