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Energia da cana produz o equivalente a mais de uma Itaipu em dez anos

Volume total de energia elétrica gerada é superior aos fornecidos por Itaipu em 2015

Nos últimos dez anos, o volume total de energia elétrica gerada com biomassa de cana-de-açúcar para o Sistema Interligado Nacional (SIN) ultrapassou 100 TWh, sem considerar a produção para o consumo próprio na usinas de açúcar e etanol. O montante é superior aos 89,2 TWh fornecidos por Itaipu em 2015, informa o Boletim InfoMercado divulgado na quinta-feira (17/03) pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

 

Dados compilados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) revelam ainda que observando apenas os resultados verificados no ano passado, a eletricidade obtida com a queima do bagaço e da palha da cana foi de 20,2 TWh, o que representou aproximadamente 23% da produção registrada em Itaipu. Em 2015, a hidrelétrica brasileira voltou a ocupar a liderança mundial em geração de energia, superando a gigante chinesa Três Gargantas.

 

De acordo com o gerente em Bioeletricidade de UNICA,  Zilmar de Souza, há dez anos, a geração de bioeletricidade sucroenergética para a rede representava apenas 1% da produção de Itaipu. Segundo o executivo, embora a biomassa mostre capacidade de responder rapidamente quando existe um cenário institucional e de mercado favorável, existem sérios entraves à sua expansão.

 

“Ao longo da década, nos leilões regulados, 70% da energia de novos projetos de bioeletricidade foram comercializados nos cinco primeiros anos, sobretudo entre 2006 e 2008, quando havia um cenário estimulante tanto para a bioeletricidade quanto para o etanol. Somente o Leilão de Reserva, ocorrido no ano de 2008, contratou quase 40% do total comercializado nos leilões na década em análise”, comenta Souza.

 

Horizonte

Ainda que existam problemas relacionados aos leilões de Energia, segundo o especialista da UNICA um fato novo poderá trazer alento. Trata-se do compromisso assumido pelo Governo Federal durante a Conferência do Clima (COP21), ocorrida em Paris no ano passado, no qual as fontes eólica, solar e biomassa devem chegar a participar com 23% do total de geração de eletricidade no país até 2030.

 

“Para tanto, diretrizes duradouras, claras e estimulantes advindas desse compromisso na COP21 deverão ser construídas para encorajar o retorno robusto e contínuo do investimento em bioeletricidade nos leilões regulados, ainda a principal porta de entrada dessa fonte no setor elétrico brasileiro. Potencial nós temos, mas precisamos ser rápidos em ações públicas e privadas, pois quando se trata de energia elétrica, 15 anos é um tempo relativamente pequeno entre o redesenho da atual política setorial e o efetivo aumento de geração na matriz elétrica”, avalia o Souza.

 

O último Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2024), publicado pelo Governo Federal em dezembro de 2015, aponta que o potencial técnico de geração anual pela biomassa da cana poderia alcançar quase a produção de duas usinas do porte de Itaipu, com 165 TWh/ano até 2024.

 

 

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