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Empresa desenvolve equipamento para aplicação de agrodefensivos

Tecnologia pode gerar uma economia de, no mínimo, 10% de defensivos químicos e de 5% de combustível

O uso de aeronaves é um dos meios mais comuns para a aplicação de agrodefensivos em cultivos, mas a realização manual do processo leva a desperdício de material e pode comprometer a precisão e a segurança. Para minimizar eventuais prejuízos, pesquisadores de uma empresa de São José dos Campos (SP) desenvolveram uma linha de produtos customizados para automatizar a aviação agrícola.

 

Como funciona hoje

O procedimento tradicional é realizado ao longo do voo de uma aeronave sobre faixas paralelas e perpendiculares de cultivo, perpendicular ao sentido do vento, com algumas passagens repetidas sobre determinados segmentos na tentativa de garantir a cobertura total da área desejada.

 

O que é a nova tecnologia

A tecnologia substitui o procedimento de controle e atuação manual por um equipamento com hardware embarcado de tempo real e um sistema eletromecânico com sensor e atuador. Integrado aos demais componentes da plataforma, a tecnologia realiza uma aplicação autônoma, sem participação do piloto, podendo gerar uma economia de, no mínimo, 10% de defensivos químicos e de 5% de combustível.

 

Segundo Fernando Garcia Nicodemos, sócio-diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa, é preciso desenvolver a agricultura de precisão no Brasil, com sistemas eletrônicos embarcados de orientação e navegação em veículos terrestres e aéreos, como pulverizadores, tratores, colheitadeiras e aeronaves agrícolas. “O mercado brasileiro ainda se encontra no patamar do controle manual da aplicação de defensivos, utilizando componentes majoritariamente mecânicos, sendo o acionamento manual da válvula de abertura feito pelo piloto, que inicia e interrompe o processo a cada aplicação. Trata-se de um processo pouco preciso e que oferece pouca segurança”, avalia.

 

FLuX I

O primeiro dos componentes desenvolvidos é o FLuX I, um fluxômetro utilizado para o acompanhamento em tempo real da vazão do agrodefensivo aplicado. Com ele, o piloto pode calcular diretamente no equipamento a vazão ideal de aplicação e a quantidade total do insumo aplicado por meio de um totalizador. Além disso, é possível realizar uma calibração simplificada de modo que a vazão monitorada represente realmente a do insumo aplicado, evitando-se o desperdício.

 

O equipamento é composto por um monitor digital, que deve ser instalado no painel da aeronave, e de um sensor do tipo turbina acoplado a um filtro, instalado na tubulação da parte externa inferior. De acordo com Nicodemos, “a tecnologia é de fácil instalação e compatível com todos os modelos de aeronaves em uso no país”.

 

A tecnologia foi desenvolvida por meio do projeto SECA: Sistema Embarcado de Controle Automático – Desenvolvimento de um novo algoritmo e equipamento para automatização da aplicação de agrodefensivos em aeronaves agrícolas, realizado na NCB Sistemas Embarcados Ltda. com apoio do Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE).

 

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