DATA: 30/09/2015

Embrapa seleciona técnicas para melhorar prenhez bovina

Pesquisadores acreditam que inseminação artificial e sincronização dos cios dos animais precisam ter prioridade em grandes propriedades

Entre as palestras que debateram a reprodução, nutrição e produção bovina no primeiro simpósio Repronutri, realizado em Campo Grande (MS) na última semana, uma delas discutiu a aplicação de práticas voltadas a melhorar a fertilidade das vacas em sistemas extensivos de produção. Para o pesquisador Ériklis Nogueira, da Embrapa Pantanal, ações como inseminação artificial e sincronização dos cios dos animais precisam de uma atenção especial em propriedades de grandes proporções, como as pantaneiras.

“Isso é bastante fácil de se fazer em uma fazenda pequena, com um rebanho menor, ou em uma fazenda bastante estruturada que tenha mão de obra, currais, cercas, mangueiros, que mantenha boas condições nutricionais para os animais – o que, muitas vezes, não acontece em boa parte das propriedades. Veja, por exemplo, o Pantanal. A gente tem áreas marginais de fertilidade, pouca estrutura, poucos currais, cercas e mão de obra deficientes. Nessas fazendas, nós temos que ser bastante seletivos em relação a como trabalhar com essas biotécnicas reprodutivas. Existe uma variabilidade muito grande de ambientes e de capacidade das propriedades rurais nesses casos”, diz o pesquisador.

Por isso, Ériklis e a equipe coordenada por Urbano Gomes, formada também por Juliana Borges e Luiz Orcírio Fialho – os três, pesquisadores da Embrapa Pantanal – trabalham no projeto Criapanta, que busca melhorar o índice de produtividade da pecuária de cria. Para isso, a iniciativa aplicou uma série de ações conjuntas, como a desmama precoce, suplementação de matrizes (com suplementação antes e depois do parto), utilização de suplementos em forma de bloco ou suplementação de hormônios. O resultado pode ser percebido nos altos índices de prenhez das vacas da região. “Nas fazendas do Pantanal, a gente tem propriedades que saíram de 60% de prenhez para 75%, ou até mesmo para 90% com a utilização de desmama precoce – mesmo usando tecnologias com o valor de custo de produção do bezerro mais baixo”.

Segundo o pesquisador, a aplicação da desmama precoce teve grande influência nos índices de prenhez atingidos pela pesquisa. “A desmama precoce é uma técnica em que a gente suplementa o bezerro a partir dos 90, 100 dias de idade – na desmama tradicional, esse bezerro é tirado da mãe com sete, oito meses. Tirando o bezerro com 90, 100 dias de idade, a gente consegue liberar essa vaca para ela entrar em cio e emprenhar mais cedo. É necessário ter uma capacidade técnica para a suplementação, com alguma estrutura para fazer isso, mas é uma técnica que teve um resultado muito interessante em fazendas do Pantanal”.

Para quem quer aplicar técnicas como essas na propriedade, o pesquisador recomenda, antes de tudo, conhecer a situação da fazenda. “Cada caso é um caso e uma avaliação sempre tem que ser feita. Mas a inseminação artificial em tempo fixo (IATF) é uma alternativa interessante, assim como a suplementação em categorias específicas, a utilização de estação de monta adequada, o cruzamento industrial e a desmama precoce, em alguns casos”, afirma. “Esses índices são excelentes para o Pantanal ou para fazendas extensivas fora da região também. São números muito interessantes para a prenhez dos animais nessas fazendas de pecuária de corte”.


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