Embrapa recebe última remessa da coleção de batata do Peru

Brasil é o guardião da coleção de batata mais biodiversa do mundo

A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia recebeu hoje (06/04/2016), a quinta e última remessa da coleção de batata do CIP (International Potato Center), do Peru. Agora, está completa a cópia de segurança da coleção de batata mais valiosa do mundo no que se refere à diversidade genética, já que o país é o berço genético dessa cultura, originária da Cordilheira dos Andes (situada entre Peru e Bolívia).

 

A coleção original conta com cerca de 4.000 amostras de variedades silvestres e cultivadas. Na primeira remessa, em 2014, chegaram à Unidade em Brasília, DF, 180 acessos de material silvestre e amostras de nove variedades cultivadas de batata. Na segunda, em 05 de março de 2015, 880 acessos. Ainda em 2015, foram recebidas outras duas remessas: uma em 12 de maio e a outra em 05 de novembro, de 1226 e 1192 acessos, respectivamente. Com essa última, que conta com 913 acessos, a cópia de segurança mantida na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia está completa, com 4.391 acessos, ou seja, aproximadamente a mesma quantidade da coleção original mantida no Peru.

 

O CIP é o detentor do maior banco de batata in vitro (conservada em tubos de ensaio), do mundo. Essa forma de conservação é a mais adequada no caso dessa cultura, por se propagar vegetativamente por mudas e não por sementes. A cópia de segurança é como um backup da diversidade genética de batata daquele país, que é o maior produtor de batata da América Latina, no qual o consumo per capita é superior a 80 quilos.

 

A escolha da Embrapa para ser a guardiã da cópia de segurança da coleção peruana se deve a dois motivos, como explica a pesquisadora do CIP, Nataly Franco. O primeiro critério é a cooperação técnica mantida há décadas pelas duas instituições. O segundo é a moderna e segura infraestrutura oferecida pelo Banco Genético, mantido pela Empresa em Brasília. “Esse segundo fator foi determinante para a definição do Brasil como guardião da coleção. Tínhamos uma cópia na Argentina, mas ela será desativada em breve porque a coleção completa já chegou à Embrapa”, afirma a pesquisadora peruana.

 

Segundo o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Francisco Ricardo Ferreira, que coordena o processo de intercâmbio de material genético com outros países, a cópia de segurança da coleção de batata do CIP ficará conservada e não será manipulada. A cada dois anos, uma equipe da instituição peruana virá à Embrapa para renová-la. “Antes de ser incorporada ao Banco Genético da Embrapa, os tubos de ensaio passam por um processo de desinfestação para evitar contaminação das mudas de batata e das outras coleções mantidas pela Empresa”, complementa.

 

Conservar as coleções genéticas de parceiros é um dos objetivos da Embrapa

O Banco Genético da Embrapa, inaugurado em 2014, possui infraestrutura moderna e segura para conservar em condições adequadas o manancial genético resultante de mais de quatro décadas de pesquisas da Empresa com foco na sustentabilidade e segurança alimentar. São espécies coletadas em todas as regiões brasileiras e intercambiadas com outras instituições de pesquisa do Brasil e do exterior que garantem muito mais do que a simples conservação: asseguram a diversidade genética, fundamental para a certeza de uma mesa farta às gerações atuais e futuras. Um dos objetivos do Banco é abrigar coleções de plantas, animais e microrganismos mantidas por instituições parceiras do Brasil e de outros países, como é o caso da cópia de segurança da coleção de batata do CIP recebida hoje.

 

No caso do centro peruano, trata-se de uma coleção de mudas in vitro, mas o Banco Genético da Embrapa está apto a conservar material genético em suas mais variadas formas, como por exemplo, sementes e mudas, no caso de vegetais; sêmen e embriões de animais; isolados criopreservados, no caso de microrganismos, e DNA em todos os casos. Para isso, o espaço conta com laboratórios, câmaras de conservação de plantas in vitro (para espécies cujas sementes que não suportam baixas temperaturas), criobancos (nos quais os materiais genéticos são conservados congelados em nitrogênio líquido) e bancos de DNA.

 

Vale destacar que a estrutura para a conservação de sementes é a maior do Brasil e da América Latina, com capacidade para 750 mil amostras armazenadas em câmaras frias a 20ºC abaixo de zero.

 

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