DATA: 23/02/2016

Embrapa propõe manejo integrado para combater Aedes aegypti

É preciso adotar diferentes estratégias para conseguir eliminar as larvas do Aedes aegypti

A pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Rose Monnerat afirmou que é preciso “empoderar” a população no combate ao mosquito, realizando o chamado “manejo integrado”, ou seja, adotando diversas estratégias para eliminar as larvas do Aedes aegypti. A exposição aconteceu em audiência pública no Senado Federal para discutir as tecnologias existentes para o combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor de diversas doenças entre elas a Dengue, o Zika e a Febre Chikungunya, no dia 18 de fevereiro.

 

A apresentação foi feita em audiência conjunta da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado (CRA) e da Comissão Senado do Futuro (CSF). Rose Monnerat relatou aos senadores o sucesso de uma campanha inovadora realizada pela Embrapa entre fevereiro e junho de 2007 na cidade de São Sebastião (DF), na qual foi utilizado o bioinseticida Bt-horus, desenvolvido em 2005 pela Embrapa em parceria com a empresa Bteck Biotecnologia, no combate ao mosquito.

 

Na ocasião, o produto foi distribuído e aplicado gratuitamente em todas as residências de São Sebastião (cerca de 20 mil) em uma campanha que uniu a Embrapa, o governo distrital e a população local no combate ao mosquito transmissor da dengue. O resultado ficou acima do esperado: o índice de infestação, que era de 4% caiu para menos de 1%, considerado aceitável pela Organização Mundial de Saúde. “A vantagem do produto é que é específico para matar a larva do mosquito. Ele tenta equilibrar uma praga que está desequilibrada, mas não é só o produto. É preciso trazer a população para perto. Fazer campanhas”, diz a pesquisadora.

 

Na audiência, Rose apresentou a nova geração de bioinseticida contra a larva do mosquito da dengue desenvolvido recentemente pela Embrapa, chamado Inova-Bti SC. O produto está sendo produzido em parceria com o Instituto Matogrossense do Algodão (IMAmt) e encontra-se em fase de registro junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

 

Assim com o Bt-horus, o Inova-Bti é seletivo e causa a morte apenas das larvas do mosquito, não afetando o homem, animais domésticos, inclusive peixes, aves e insetos benéficos. “A diferença entre o Bt-horus e o Inova-Bt é que o primeiro foi feito em 2005 e o segundo neste ano, ou seja, o produto atual tem os componentes de uma nova geração, mas os dois têm eficácia muito semelhante”, conta Rose.

 

Ambos também não afetam o ambiente, por não serem cumulativos ou poluentes. São de fácil aplicação e podem ser utilizados pela própria população. “O produto contém quatro toxinas que matam a larva do mosquito de forma sinérgica. É uma ‘bomba’ para matar a larva do Aedes aegypti, e somente ela”, enfatizou a pesquisadora.

 

Sobre a capacidade de produção do bioinseticida para atender a população, Rose afirmou que o IMAmt está se preparando para fabricar o Inova-Bti em larga escala. Em relação ao Bt-horus, o produto não foi fabricado em larga escala porque não havia demanda. “Até hoje a produção ainda é bastante baixa”, afirma.

 

Esforço coordenado – Em complemento à fala da pesquisadora Rose Monnerat, o Chefe-geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, José Manuel Cabral, afirmou que as ferramentas contra o mosquito transmissor da dengue existem, mas falta uma conjugação coordenada de esforços para combater a doença.

 

“Nós temos as ferramentas e podemos desenvolvê-las e integrá-las de forma inteligente para obter o resultado imediato no controle dos vetores. Mas o grande sucesso que foi a experiência em São Sebastião foi devido ao envolvimento da população”, diz.

 

 


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