DATA: 03/09/2015

Embrapa elabora boletim sobre a pesca na Bacia do Alto Paraguai

Informações mostram que mais de 300 toneladas foram pescadas em 2014, sendo o cachara,o pintado e a piranha as principais espécies

Dados do Sistema de Controle de Pesca de Mato Grosso do Sul são transformados em boletim com informações sobre a atividade pesqueira na Bacia do Alto Paraguai. O levantamento realizado pela Embrapa Pantanal e o Instituto de Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul listou os rios mais procurados pelos pescadores – profissionais e amadores – e as espécies mais capturadas. Mais de 300 toneladas foram pescadas em 2014, sendo os principais peixes o cachara, pintado, pacu, pavacu e piranha.

A Embrapa Pantanal e o Instituto de Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul (Imasul) realizaram em julho e agosto deste ano a análise dos dados de pesca da Bacia do Alto Paraguai. Esse levantamento considera índices da atividade pesqueira na Bacia do Alto Paraguai como forma de compreender a situação da pesca na região. As informações sobre a atividade são coletadas pelo 15º Batalhão da Polícia Militar Ambiental (15º BPMA) através das guias de controle de pescado, que são preenchidas no ato de vistoria do pescado obtido por pescadores profissionais – artesanais e amadores (esportivos).

“A partir das informações registradas nestas guias, são obtidas as estatísticas – como, por exemplo, a quantidade total de pescado capturado por pescador profissional, esportivo, por rio, número anual de pescadores que vieram à região, entre outras”, diz Agostinho Catella, pesquisador da Embrapa Pantanal.

Agostinho e as biólogas Selene Peixoto Albuquerque e Fânia Campos, fiscais ambientais do Imasul, formam o grupo de pesquisadores que analisaram as 4.140 guias preenchidas em 2014. Por meio desse material, foi possível chegar a conclusões sobre algumas estatísticas, como os rios mais procurados pelos pescadores no último ano na região: Paraguai, Miranda, Taquari e Aquidauana, nesta ordem. “O rio Miranda é o mais importante para a pesca profissional. O rio Paraguai, para a pesca amadora”, diz Agostinho.

De acordo com o levantamento realizado pelo SCPesca/MS de 2014, o desembarque total de pescado registrado na bacia no ano passado foi de 306 toneladas, sendo que as espécies mais capturadas foram cachara, pintado, pacu, piavuçu e piranha (nesta ordem). Desse total, 43 toneladas foram de pacu. A espécie registrou um aumento expressivo em relação a 2013, quando esse valor chegou a 32 toneladas. “2014 foi um ano com uma cheia considerável. Como o pacu é um peixe que utiliza os campos alagáveis e que depende da cheia, provavelmente, isso se refletiu nesses números”, afirma o pesquisador.

No último ano, os pesquisadores observaram também maiores rendimentos de captura por pescador/por dia para ambas as modalidades de pesca. “Se a pesca está rendendo bem, o pescador profissional fica menos dias no campo. Em 2013, eles ficaram de cinco a dez dias. Em 2014, ficaram de quatro a sete”, diz Agostinho. Em relação à quantidade total de pescadores amadores, a pesquisadora Fânia Campos afirma que foram registrados cerca de 13.000 no último ano. “A partir do ano 2000 houve diminuição no número de pescadores esportivos, mas o número anual vem se mantendo em torno desse valor desde 2006”, diz. De acordo com Fânia, fatores socioambientais e políticos influenciaram a frequência com que pescadores amadores visitam a região, como a redução das cotas de pesca e a organização de novas áreas como destino turístico para pescadores amadores, por exemplo.

Para Selene Albuquerque, o trabalho realizado pelo SCPesca/MS contribui para a conservação do ambiente e seus recursos, oferecendo subsídios para a gestão da atividade pesqueira. “Existem as cotas de pescado, os períodos regulares em que se é permitido pescar, o fechamento na época da piracema, que são medidas importantes. No momento, eu vejo com bons olhos a situação da pesca na região”. Segundo Agostinho, a continuidade da coleta de dados ao longo dos 21 anos de existência do Sistema de Controle da Pesca de Mato Grosso do Sul é o que permite avaliar as principais tendências da atividade pesqueira na região. “Você enxerga as tendências da pesca quando se tem um conjunto contínuo de dados”, afirma.

 

 


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