DATA: 25/09/2015

Embrapa e Ministério do Meio Ambiente lançam sistema para a Amazônia Legal

A ferramenta online e gratuita disponibilizará informações sobre uso da terra, potencialidades produtivas e áreas de proteção

O Sistema Interativo de Análise Geoespacial da Amazônia Legal – Siage reúne e disponibiliza informações sobre uso da terra, potencialidades produtivas e áreas de proteção, sob a perspectiva dos zoneamentos ecológico-econômicos dos nove estados brasileiros que compõem a Amazônia Legal. É uma ferramenta online e disponível gratuitamente para gestores públicos, instituições de fomento, secretarias de estado e municípios e outros agentes que trabalham com o planejamento regional, além da sociedade em geral.

São inúmeros dados sobre os solos, clima, vegetação, aptidões agronômicas, informações socioeconômica, aspectos legais e institucionais, produzidos nas iniciativas de zoneamentos ecológico-econômicos de nove estados brasileiros: Acre, Amapá, Amazonas, oeste do Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

Os dados são georreferenciados e correspondem a aproximadamente 650 camadas temáticas, cada uma traz informações específicas como cobertura vegetal, geologia, áreas indígenas, etc, que geram a composição dinâmica de mapas. Esses dados, gerados pelos estados durante a elaboração de seus zoneamentos, alimentam o Siageo, que conta com a parceria de secretarias de meio ambiente, planejamento e desenvolvimento regional em diferentes cidades da Amazônia Legal.

“Recebemos em torno de 2.500 mapas e arquivos dos estados e, após filtragem e tratamento dos dados, estamos disponibilizando em torno de 650”, explica o pesquisador João Vila, da Embrapa Informática Agropecuária (SP), e coordenador do desenvolvimento do sistema. O processo de atualização do Siageo é contínuo, por isso a parceria com os estados é fundamental.

Qualquer pessoa pode se cadastrar no Siageo e realizar consultas espaciais a partir de qualquer uma das camadas temáticas disponíveis no catálogo do sistema. Os resultados são relatórios com as análises espaciais, como áreas em sobreposição, distância, além de mapas, realizados de acordo com a solicitação do usuário. Um agente de crédito rural, por exemplo, pode localizar a propriedade de seu cliente, efetuar um relatório espacial e saber as condições ambientais dessa fazenda, auxiliando na sua tomada de decisão.

O desenvolvimento do Siageo foi baseado em plataforma de softwares livres, como o Quantum GIS e o i3Geo, além do Sistema Operacional Linux. E, para consultas simples, não há necessidade do usuário instalar ou manter qualquer software em seus computadores, sendo necessário apenas um microcomputador com navegador e acesso à internet para se cadastrar e utilizar as funcionalidades do sistema.

O objetivo é que ele se estabeleça como um local de convergência dos dados geoespaciais sobre a Amazônia Legal, permitindo disseminar o conhecimento técnico sobre a região e subsidiar a formulação e a espacialização de planos, programas e políticas públicas para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.

O Siageo foi desenvolvido no âmbito do Projeto Uniformização do Zoneamento Ecológico-Econômico da Amazônia Legal (UZEE), coordenado pela Embrapa Amazônia Oriental e Ministério do Meio Ambiente (MMA). O projeto aponta quais as áreas aptas para o plantio de espécies produtoras de energia em todos os estados da Amazônia Legal e implementa o sistema integrado de informações sobre a região.

Dos 5.217.423 km² que integram a Amazônia Legal, um total de 1.740.608,4 km² foi observado pelo projeto UZEE-AML. Essa área é um recorte das áreas alteradas pela ocupação humana na região e mais o entorno, em um raio de 5 km. Ela é constituída por áreas desflorestadas e áreas com cobertura florestal que têm um maior grau de vulnerabilidade.

“Com o Projeto UZEE Amazônia Legal, foi possível articular todos os zoneamentos feitos para os estados da região e potencializar o uso de áreas antropizadas – já modificadas pelo homem – para a agricultura, pecuária e floresta, numa perspectiva macrorregional”, explica Adriano Venturieri, coordenador do projeto e chefe-geral da Embrapa Amazônia Oriental. A intenção não é restringir as potencialidades da região, nem impor outras atividades produtivas, mas sim racionalizar o uso do território e organizá-lo em torno de premissas ambientais, econômicas e sociais que respeitem e valorizem a vocação da região.


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