Grãos de soja.
DATA: 02/03/2016

Embarques de soja ganham impulso e crescem 134% em fevereiro

Brasil exportou 2,036 milhões de toneladas; o crescimento foi de 416,2% em comparação com o volume embarcado em janeiro Darlene Santiago

O atraso no plantio de soja na safra 2015/2016, causado pela estiagem em algumas regiões produtoras, não prejudicaram a colheita e o ritmo de exportações da oleaginosa. No mês de fevereiro, o Brasil exportou 2,036 milhões de toneladas, gerando receitas de US$ 715,3 milhões.

 

Os números representam um crescimento de 134% no volume exportado e de 106% no faturamento, na comparação com as 868,7 mil toneladas embarcadas e US$ 346,2 milhões obtidos em fevereiro do ano passado. Em comparação com o mês anterior, houve um salto de 416,2%, já que foram exportadas apenas 394,4 mil toneladas de soja em janeiro de 2016.

 

“No ano passado, houve atraso na colheita e tivemos problemas portuários. Já nesta safra, apesar das preocupações com o clima, a colheita conseguiu ser mais adiantada que na anterior”, diz o professor Lucilio Alves, pequisador de grãos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). “Além disso, o volume de contratos antecipados foi bem maior do que em 2015.”

 

O consultor Flávio Antunes, da consultoria INTL FCStone ficou surpreso com o resultado. “Isso me surpreendeu bastante porque ainda estamos na entrada da safra”, afirma. Segundo ele, há motivos para que o movimento de alta continue forte. Um exemplo é que, em dezembro de 2015, o prêmio para a exportação de soja no Porto de Paranaguá (PR) estava próximo de zero. Já em janeiro e fevereiro deste ano, o prêmio para embarque em março no mesmo porto passou a ficar próximo de 20 centavos de dólar por bushel de soja exportada, o que estimula as vendas externas. “Com dólar valorizado e demanda aquecida, podemos esperar recordes de exportações de soja em março e abril”, afirma Antunes. “Acredito que nesta safra vai ter um forte comprometimento com a exportação.”

 

Antunes lembra que a Argentina também terá uma colheita recorde de soja, em torno de 60 milhões de toneladas, mas não deve preocupar os brasileiros. “A Argentina mudou algumas questões relacionadas à tributação e políticas de exportação, então ela vai concorrer mais com o Brasil no mercado agora, mas não será um problema porque a demanda também vai crescer.”

 

As exportações brasileiras serão sustentadas principalmente pelo apetite chinês, segundo Alves. “Há sinais de que a China pode importar mais soja, com um crescimento ao redor de 6% do volume importado nesta safra, e o principal fornecedor de soja para a China é o Brasil”, afirma o pesquisador do Cepea. A estimativa é de que as importações chinesas avancem de 78 milhões de toneladas de soja para algo em torno de 83 milhões de toneladas.

 

De acordo com projeções da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), as exportações brasileiras de soja devem avançar de 53 milhões de toneladas para 57 milhões de toneladas nesta safra.

 


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