Grãos de soja, milho e trigo, cacau, algodão e cana-de-açúcar.
DATA: 05/01/2016

El Niño vai prejudicar a produção agrícola em 2016

De acordo a consultoria INTL FCStone, o primeiro trimestre deste ano será marcado pelos impactos do fenômeno nas commodities

Enquanto a safra de grãos da América do Sul é afetada negativamente pelo fenômeno do El Niño, o clima também desfavorece outras regiões produtoras de açúcar, como a Índia, e cacau, como a Costa do Marfim, Gana e Indonésia. De acordo com estudo divulgado nesta segunda-feira (04/01) pela consultoria INTL FCStone, o clima segue como destaque entre impactos previstos para a produção agrícola mundial.

 

No caso dos grãos, o clima tem sido bastante irregular em regiões produtoras do Brasil. Durante o período de plantio, a estiagem foi longa nos Estados do Centro-Oeste, em especial no Mato Grosso, e também no Nordeste, na região conhecida como Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

 

“Como essas áreas juntas correspondem a mais de um terço da produção brasileira, a preocupação com possíveis perdas e atraso no plantio movimentou os preços internacionais”, diz a coordenadora de Inteligência de Mercado da consultoria, Natália Orlovicin. No primeiro trimestre de 2016, o desenrolar do clima na América do Sul continuará influenciando os mercados, uma vez que será o fator determinante do tamanho da safra dos países.

 

Soja 

Enquanto a safra norte-americana se consolidou e o produtor já começa a pensar na próxima, a semeadura está em andamento no Brasil e na Argentina. A importância desses países no mercado mundial faz com que eles tenham influência sobre os preços da oleaginosa na Bolsa de Chicago e, por isso, as atenções se voltam para os acontecimentos nestes países durante o desenvolvimento da safra.

 

Milho

Em 2016, as perspectivas apontam para a manutenção de um quadro de oferta confortável do cereal. Nos Estados Unidos, no início do ano já começam as especulações sobre a área de milho da safra 2016/17. No Brasil, as atenções estão voltadas para o cultivo da “safrinha” 2016.

 

Trigo

Com um balanço de oferta e demanda mundial desequilibrado, as projeções para a produção mundial apresentam-se bem elevadas para a safra 2015/16, estimando um recorde de 734,93 milhões de toneladas, aumento de quase 10 milhões de toneladas em relação à safra anterior. Enquanto isso, a demanda esperada deve ficar em 717,14 milhões de toneladas, o que pode causar um aumento de mais de 2 milhões de toneladas nos estoques mundiais. Estas previsões têm pressionado e devem continuar pressionando as cotações do cereal na Bolsa de Chicago.

 

Cacau

Para o cacau, estimativas de déficit no saldo produtivo em 2015/16 tendem a manter os preços elevados em 2016. Todavia, a retração da demanda sazonal no início do ano e o fraco crescimento econômico europeu podem amenizar momentaneamente a situação dos estoques e pressionar os preços no curto prazo.

 

Algodão

No Brasil, a demanda pode ser menor durante os primeiros meses de 2016 e contribuir para cotações mais fracas. Contudo, a oferta mais escassa de pluma de qualidade e concentrada entre as tradings tende a contrabalançar a menor pre-disposição da indústria a comprar.

 

Açúcar

Ainda segundo a consultoria, permanecem altistas as perspectivas para a safra 2015/16 do açúcar, causadas por um déficit global na casa de 5,6 milhões de toneladas. O analista João Paulo Botelho explica que, entre os motivos para o déficit, estão a falta de investimentos em expansão da capacidade produtiva nos últimos anos e os efeitos do El Niño. “As secas debilitaram a produção na Índia e o elevado volume de chuvas dificultou o aproveitamento da safra do Centro-Sul brasileiro”, diz Botelho.

 

Etanol

Os estoques do biocombustível se encontram relativamente mais apertados no início deste ano, o que poderá ser contrabalançado pela tendência de demanda mais fraca por combustíveis no primeiro trimestre. Entre as novidades para o setor em 2016 estão melhores condições para as exportações brasileiras de etanol, com a retomada dos objetivos do padrão de combustíveis renováveis e do programa de combustíveis limpos da Califórnia.

 

Fertilizantes

O excesso de oferta de fertilizantes, relacionado ao acumulo de estoques e expansão da capacidade produtiva mundial, assim como a desaceleração da demanda mundial, dados os baixos preços das commodities agrícolas, devem manter o mercado internacional de fertilizantes pressionado em 2016. No Brasil, uma recuperação é esperada, embora esta deva ser modesta, em razão da complicada situação macroeconômica.

 

Câmbio

Com relação à taxa de câmbio, a INTL FCStone prevê um cenário mais neutro, com leve viés de alta, especialmente pela possível piora dos fundamentos da economia brasileira e pela expectativa de cenário político instável no primeiro semestre. “O mercado externo deve prover influências mistas, com a inflação dos Estados Unidos sendo o principal determinante da taxa de juros norte-americana, e consequentemente, do dólar”, diz Botelho.

 

 

Demanda chinesa

Além do impacto climático, a situação econômica mundial também deve ter seu efeito sobre as commodities. Isso porque a continuidade da desaceleração chinesa afeta diretamente a demanda e, consequentemente, os preços, que podem ser cada vez mais pressionados.

 


Comente essa notícia.

Faça seu cadastro ou login gratuito para enviar comentários.