DATA: 12/02/2016

Descubra o segredo da grama impecável nos campos de futebol

Grama dos estádios é irrigada e precisa ser cortada três vezes por semana durante todo o ano Naiara Araújo

O ditado popular diz que a grama do vizinho sempre é mais verde. Se o vizinho for um estádio de futebol, então com certeza a frase é verdadeira. Porém, o torcedor nem imagina o trabalho nos bastidores que deixa a grama no ponto ideal para deixar a bola rolar. O gramado precisa de manutenção intensa, além de exigir muito investimento em irrigação, corte e adubação.

 

O cuidado com o manejo da grama não custa pouco. Somente as máquinas de corte helicoidais, que são os equipamentos adequados para aparar as gramas dos estádios, podem custar até R$ 200 mil. Além disso, a grama exige investimento em irrigação, entre outros equipamentos. De acordo com o assessor agrônomo Daniel Tapia, que trabalhou por mais de duas décadas na Confederação Brasileira de Futebol e do São Paulo Futebol Clube, o gramado precisa ser cortado três vezes por semana, durante todo o ano.

 

Qual é o tipo de grama?

Como não existe uma grama perfeita para a aplicação em estádios de futebol, as equipe agronômicas precisam caprichar na hora de escolher a variedade. Alguns tipos de grama são mais resistentes ao pisoteio e também ao clima, seja ele quente ou frio. Tifway 419, Celebration, Tifgrand e Esmeralda são alguns tipos usados nos campos brasileiros. Mas, segundo Tapia, a grama mais popular é a “Bermudas”, que é bastante adequada para o clima tropical do Brasil.

 

Grama sobre grama

O clima mais frio das regiões Sul e Sudeste, em comparação com o resto do País, interfere diretamente na qualidade da grama. O assessor agronômico Daniel Tapia explica que a grama Rye Grass Perene, também conhecida como grama de inverno, normalmente é usada nos estádios dessas regiões. Com a aplicação dessa variedade por cima da grama de base, como por exemplo a grama Bermudas, o gramado consegue aguentar os meses mais frios do ano.

 

Plantio de mudas ou aplicação de tapetes?

Na hora de escolher entre tapetes e mudas, os especialistas dão prioridade para a rapidez na aplicação ou para o custo de produção da grama. Geralmente, são usados tapetes nos estádios porque, segundo Tapia, eles possibilitam a plantação de um campo oficial em até dois dias e facilitam o nivelamento da grama. “Se fossem mudas seria mais barato, porém há problema de aparição de mato e precisa de adubação para fechar a grama.” A diferença de preço entre os tapetes e as mudas pode chegar a 50%, mas a manutenção reduz essa diferença. O assessor agronômico conta que a muda requer mais adubo e mais cuidados que os tapetes. No fim das contas, o investimento em tapetes economiza tempo e dinheiro.

 

E a grama para sítio?

Enquanto o gramado nos estádios exige vários cuidados, a grama cultivada em sítios e fazendas basicamente precisa ser adequada ao clima da região. Segundo Tapia, a variedade Esmeralda está espalhada por todo o Brasil, apesar de apresentar alguns pontos negativos. “Ela adoece muito e é lenta pare se recuperar após uso intenso, por isso tem sido deixada de lado nos campos de futebol”, diz Tapia. “Para um sítio funciona muito bem, mas na Copa de 2014 nenhum gramado teve Esmeralda.”

 


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